LG_jc.gif (3670 bytes)

ENTREVISTA / Capitão Carlos Alberto Lino
"Vou respeitar os direitos humanos"

O novo diretor do Aníbal Bruno, capitão Carlos Alberto Lino, afirmou desconhecer que o motim promovido pelos detentos teria sido em protesto contra a sua posse. Segundo ele, em nenhum momento os presos mencionaram a sua pessoa. Para o novo diretor, o tumulto foi um fato isolado, provocado por desentendimentos entre os próprios detentos.

Jornal do Commercio - A imprensa divulgou que um dos motivos do motim realizado pelos detentos segunda-feira era protestar contra a sua posse. Isso é verdade?

Capitão Carlos Alberto Lino - O superintendente do Sistema Penitenciário, Eutácio Borges, afirmou, na noite de segunda-feira, que em nenhum momento os presos mencionaram a minha pessoa ou falaram em protesto contra a minha entrada na unidade. O que houve foi uma briga entre os próprios detentos.

JC - Outro motivo para o motim seria uma revolta dos detentos contra a revista-surpresa realizada sem o conhecimento da antiga direção do Aníbal, quando um preso foi baleado por um PM?

Capitão Lino - Eu também não soube de nada disso. As revistas são um procedimento normal e devem ser feitas no presídio sempre que houver necessidade. Se for legal, ou seja, com autorização da Susipe, deve ser realizada mesmo que a direção da unidade não seja comunicada.

JC - Então se uma revista for feita e o senhor não for comunicado não vai haver problema?

Capitão Lino - O ideal é que a direção seja avisada previamente para que o trabalho tenha um resultado maior. Mas ela pode acontecer se a Susipe entender que é preciso. No caso da última revista, o que eu soube é que a ex-direção do presídio foi informada, mas se isso não aconteceu eu não sou a pessoa indicada para responder.

JC - O senhor já promoveu muitas mudanças na administração do presídio?

Capitão Lino - Minha linha de trabalho é respeitar as questões de direitos humanos, mas existem regras na unidade que devem ser cumpridas. Eu prezo pela normalidade, mas cada um tem um toque pessoal.

________________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 03.02.99