![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
POLÍTICA MONETÁRIA II Malan quer BC no "ataque" aos bancos O Ministério da Fazenda anunciou ontem uma troca no comando do Banco Central. Saiu o economista Francisco Lopes e entrou o operador de mercado Armínio Fraga Neto, que até ontem trabalhava, em Nova York, como administrador do Fundo Soros, do megaespeculador internacional George Soros. A Fazenda informou que promoveu a reformulação para reforçar a instituição em vista da recente mudança do regime cambial brasileiro. Especulou-se que a queda de Lopes foi motivada pelos erros na mudança do câmbio, no início do mês, agravados pela corrida bancária provocada pelos especuladores na sexta-feira, em função de falta de ação do comando da instituição. O ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes era considerado pelo mercado financeiro "um acadêmico", mas com pouca experiência das malícias do setor. A avaliação de diretores de bancos é de que em um dia tenso como o da sexta-feira, em que se especulava com o dólar no mercado futuro, haveria a necessidade de uma "operação chapa branca", ou seja, utilizar as grandes instituições para acalmar mercado. Fraga Neto começou a trabalhar ontem mesmo, como assessor especial do ministro Malan, nas negociações para revisão do acordo com o FMI. Serão promovidas também substituições das atuais diretorias do banco. O novo dirigente deve reforçar a equipe de câmbio do BC, com profissionais de mercado, para uma ação mais agressiva contra as oscilações exageradas das cotações. A nota da Fazenda diz que a troca não representa mudança no regime de câmbio flutuante, nem na orientação geral da política econômica do governo. A volta de Fraga Neto à equipe econômica já estava acertada, mas somente para o segundo semestre do ano, mas o agravamento da crise, porém, precipitou sua vinda para substituir Lopes. A passagem de Francisco Lopes pela presidência do Banco Central foi inédita. Pela primeira vez na história do BC um presidente sabatinado na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado e aprovado pelo plenário não tomou posse. A solenidade de posse estava marcada para a próxima quarta-feira, 10 de fevereiro. A demissão de Lopes dividiu os parlamentares no Congresso. Os políticos ligados ao governo defendiam a escolha de Fraga Neto e prometiam acelerar a aprovação pelo Senado. Os parlamentares da oposição criticaram duramente o governo e prometeram mobilizar-se para que seja rejeitada a indicação. No fim da tarde, entregaram ao presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), uma carta pedindo a imediata convocação do Senado, para deliberar rapidamente sobre a indicação. Esta não é a primeira conjuntura de desvalorização cambial que o carioca Armínio Fraga Neto, 41, vive como dirigente do Banco Central. Em novembro de 1991, na condição de diretor da área externa do banco, ele administrou uma desvalorização de aproximadamente 15%. Administrou bem, segundo a visão de analistas daquele momento, a começar pelo então ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira. Segundo o ex-ministro, a gestão de Fraga permitiu que o dólar paralelo caísse de um ágio (sobrepreço) de 100% sobre o oficial para um deságio de 5%. Na época, o governo elevou a taxa de juros real (acima da inflação) para cerca de 40% ao ano e conseguiu evitar que a inflação, já na casa dos 20% ao mês, escapasse completamente do controle. |
|