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POLÍTICA MONETÁRIA VI
Malan não justifica demissão de Lopes

BRASÍLIA - Sem explicar as razões da demissão do presidente do Banco Central (BC), Francisco Lopes, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse ontem que continua contando com a confiança do presidente Fernando Henrique Cardoso para permanecer no cargo. Malan informou que ele e Lopes colocaram seus cargos à disposição "há vários dias" - a data não foi revelada -, mas apenas a saída do presidente do BC foi aceita por Fernando Henrique. "Perguntem ao presidente", respondeu sobre os motivos da saída de Lopes.

Antes ontem e pouco Antes de receber o vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Stanley Fischer, Malan disse que vai permanecer no cargo enquanto "gozar da confiança do presidente da República". Acrescentou que diante do clima de incertezas do regime cambial, ele e Lopes deixaram FHC à vontade para substituí-los.

"Mas o presidente insistiu na minha permanência no Ministério da Fazenda", declarou. Emocionado, Malan chegou a ficar com a voz embargada quando falava de sua disposição de permanecer no governo, ao contrário dos boatos que surgiram no mercado nas últimas semanas.

Malan anunciou a substituição de Lopes na presidência do BC pelo ex-diretor da instituição, economista Armínio Fraga, mas enfatizou que essa mudança não representa alteração no regime de câmbio flutuante nem na orientação da política econômica. Ele reiterou que haverá intervenção no mercado em breve.

O ministro se preocupou em desvincular o nome do novo presidente do BC de sua última atividade, a de operador do mega-investidor George Soros. Ontem, Soros criticou o receituário de juros altos recomendado pelo FMI ao Brasil e defendeu que o governo inverta essa política para evitar um aprofundamento drástico da recessão.

O ministro também negou que a missão do FMI, em Brasília desde o dia 31 de janeiro, tenha participado da decisão da troca de comando no BC. Sem admitir que o governo quer imprimir à presidência do BC o perfil de um operador, Malan disse que a troca do comando objetiva uma operação mais adequada ao regime de câmbio flutuante.

REPERCUSSÃO - "Para acalmar os mercados, nada como um homem do mercado, ainda mais sendo um gerente do Fundo Soros". Foi essa a reação de David Hale, economista-chefe global do grupo norte-americano Zurich Insurance, ao saber da troca de Francisco Lopes por Armínio Fraga, seu amigo pessoal, no comando do BC.

O economista americano Albert Fishlow, membro do Council of Foreign Relations, acha que a substituição de Francisco Lopes dará mais confiança ao mercado. Fishlow afirma que "Chico", como chama o ex-presidente do BC, dava a impressão de que "não tomava conta do mercado".

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Jornal do Commercio
Recife - 03.02. 99