LG_jc.gif (3670 bytes)

POLÍTICA MONETÁRIA XI
Financiamento de imóveis pode ter reajuste

O pesadelo de um aumento nas prestações dos financiamentos contratados diretamente com as construtoras ronda o comprador da casa própria. O produto vem aumentando lentamente desde maio de 98 para recuperar perdas no ano anterior. A saca de 50 quilos já subiu de R$ 4,60 para R$ 5,90. Esta semana, mais 3,6% de aumento, por conta do reajuste da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e do aumento do dólar, que obrigou o Governo Federal a reajustar o preço do óleo BPF, um dos principais insumos das fábricas.

Além do cimento, aumentaram, entre 15% e 27%, produtos de acabamento, como cerâmicas, madeira, vidros, esquadrias de alumínio e concreteiras. Os aumentos serão sentidos no Índice Nacional da Construção Civil (INCC), que baliza os reajustes nas prestações. Não há previsão de quanto, mas os dirigentes patronais e construtores concordam que o aumento chega em março.

"A maioria destes aumentos de produtos não faz sentido. É pura especulação. Alumínio não tem custo em dólar. A Ademi-PE (Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco) e seus associados decidiram boicotar, durante um mês, as empresas que aumentaram, e vamos comprar apenas o essencial (cimento, areia e tijolo) para não paralisar as obras", protesta Armênio Cavalcanti, presidente da Ademi-PE.

Em dezembro, o INCC foi deflacionado em -0,097 e deixou as prestações mais baratas. O INCC de janeiro sai dia 10 deste mês e não deve refletir ainda os recentes aumentos. Em 98, o INCC acumulou 2,16% de reajuste para os contratos, que contam ainda com 12% de juros ao ano. O cimento pesa, em média, 11% nos custos de um prédio. O outro componente de peso nos custos é o pessoal. E isso também vem preocupando o mercado.

"O Tribunal Superior do Trabalho (TST) ainda vai julgar o reajuste de 9% nos salários, reivindicado pela categoria, enquanto só podemos pagar 3,16%, que inclusive estão sendo creditados para os funcionários desde outubro. Se o TST aprovar, vamos ter que parar obras e rever custos futuros", diz Jorge Corte Real, presidente do Sinduscom, sindicato das construtoras.

_____________________-___________________


Jornal do Commercio
Recife - 03.02. 99