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POLÍTICA MONETÁRIA XII
Farinha de trigo já subiu mais de 60% desde o ínicio da crise cambial

Os moinhos continuam aumentando o preço da farinha de trigo, que foi vendida ontem no Grande Recife por até R$ 42,00 o saco de 50 quilos. Desde o início da crise cambial em janeiro, o produto, que é o principal componente do pão, já subiu 61,5%. Depois do reajuste médio de 20% na semana passada, o pãozinho de 50 gramas voltou a ter acréscimo de 20%, ontem, em muitos estabelecimentos. Quem cobrava R$ 0,10 passou para R$ 0,12 e de R$ 0,12 para R$ 0,14. Os panificadores tiveram que absorver também elevação dos preços da margarina e do fermento, todos produtos nacionais.

Só mantiveram os preços do pão estáveis quem tinha estoques de trigo. Como panificadoras de bairros populares, como a Padaria Areiense, do bairro de Areias, onde o pãozinho está pelo mesmo valor do ano passado, R$ 0,08. "Este preço está garantido até acabar o estoque, no final de fevereiro. Depois, infelizmente, também teremos que reajustar", justifica Vitória Lopes, dona da panificadora. O movimento de clientes não para de crescer, já que seus concorrentes subiram de R$ 0,08 para R$ 0,10. O Procon deve se reunir hoje com representantes dos moinhos para tentar conter os aumentos do trigo.

Para o presidente da Associação dos Panificadores de Pernambuco, Carlos Wanderley Cunha, os comerciantes já não suportam mais os reajustes do trigo. "Não podemos repassar o custo para o preço do pão porque o movimento vai cair ainda mais", afirma. O pão já pesa no orçamento dos trabalhadores que praticamente não tiveram aumentos nos últimos quatro anos ou que penam para conseguir uma ocupação e sobrevivem de biscates.

A família Nóbrega, moradora do bairro de San Martin, no Recife, é um exemplo de dificuldades. Para ter que alimentar 12 pessoas, eles gastavam R$ 2,00, diariamente, comprando pão. Agora, a família tem que desembolsar R$ 2,40. A elevação dos preços representa um grande problema para eles, já que a renda familiar mensal não chega a um salário mínimo.

CONTINUA - A instabilidade econômica agravada com a demissão do presidente do Banco Central, Francisco Lopes, é para os panificadores uma sinalização de que a crise, que se reflete no aumento de preços dos produtos importados, vai continuar mesmo com a redução da cotação do dólar, que fechou ontem a R$ 1,75.

"Já reduzimos a margem de lucro, mas está difícil porque a crise continua", lembra Elizabeth Santos, dona da panificadora Suape, em Piedade. Ela defende o entendimento dos panificadores para concentrar a compra do trigo em um moinho que concorde em oferecer preços menores.

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Jornal do Commercio
Recife - 03.02. 99