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COMEMORAÇÃO Santa Cruz faz 85 anos de glórias, suor e vitórias por WLADMIR PAULINO Cena 1 - (3 de fevereiro de 1914): um grupo de garotos reúne-se, à noite, na Rua da Mangueira (hoje Leão Coroado), casa número 2, bairro da Boa Vista e funda o Santa Cruz Futebol Clube, sob o manto das cores preta e branca. No ano seguinte, ao filiar-se à Liga Sportiva Pernambucana, o novo clube teve que alterar as cores, pois o Flamengo, também alvinegro, não admitia outra equipe com as mesmas tonalidades . Num sorteio entre as duas agremiações, o Santa perdeu e transformou-se em tricolor, sob a efígie da Cobra Coral. Cena 2 - (3 de fevereiro de 1999): ao completar 85 anos, o Tricolor do Arruda já ostenta 23 títulos de campeão pernambucano, sendo três de supercampeão, e seu maior orgulho - o Estádio José do Rego Maciel - o Colosso do Arruda. O próximo take desse filme será hoje, às 9h, com uma Missa de Ação de Graças, que abre as comemorações do aniversário daquele que ficou conhecido como O mais querido. De lá prá cá, muita água e muitos Clássicos das Multidões e das Emoções rolaram. Uma legião de apaixonados formou-se com o passar de décadas. Algumas árduas, como as de 10-20, em que o clube não conquistou um só título. Ou gloriosas, como a de 70, quando o esquadrão de Givanildo, Luciano, Betinho, Cuíca, Detinho, o artilheiro Ramon e muitos outros, dominou o futebol pernambucano e tornou-se pentacampeão (69-73). O pioneirismo também marcou o Tricolor, com a presença, em suas frentes, do mulato Lacraia, nos primeiros anos de vida. A fábrica de ídolos do Arruda nunca deixou de lançar craques, desde Pitota - figura obrigatória em todos os selecionados da Liga Pernambucana da época - até Rivaldo, um magricela que se transformou no motor do Barcelona, na Espanha. Em 1952 foi concebido o embrião de um colosso. O então presidente, Aristófanes de Andrade, liderou um movimento para comprar um terreno pertencente ao comendador Arthur Lundgren. O prefeito José do Rego Maciel, tricolor de coração, libera a importância de Cr$ 2.000.000,00, que, somados a mais Cr$ 2.000.000,00 emprestados pelo Banco do Povo S/A viabilizaria o negócio. De posse da escritura do terreno, o clube descobriu que havia um obstáculo para a construção do estádio: uma faixa num dos limites do terreno, que pertencia à Gráfica Drescheler & Cia, mas nada era obstáculo ante a perseverança da diretoria. Até o deputado Adelmar da Costa Carvalho (que emprestou seu nome ao estádio do arquiinimigo Sport, do qual foi presidente) ajudou, ao doar um muro para o campo. Em 1970, a primeira glória no estádio. Diante de 20.851 pagantes e mais 4.431 que entraram de graça, o Santa comemorou seu primeiro título em casa. Foi o bicampeonato, que culminaria, três anos mais tarde, no penta. Finalmente, a 1 de agosto de 1982, a primeira inauguração solene do estádio, que passou por várias etapas. Até se chegar àquela situação, além da ajuda governamental, muita doação de garrafas vazias, jornais velhos, tijolos e cimento, e, é claro, muito suor... fizeram a história do Arruda e do Santa. A FESTA - Ao meio-dia haverá salva de 21 tiros, e à noite, uma sessão solene do Conselho Deliberativo. Na ocasião, os dirigentes anunciarão o nome de mais um atacante para compor o elenco. "Será um presente da diretoria ao nosso torcedor", diz o diretor José Alexandre Mirinda. E é isso o que a galera quer. "Eu queria as contratações que vêm aí. Aquela derrota para o Porto foi um acidente próprio do futebol", diz o motorista Romeu Machado, esbanjando confiança."O melhor presente é uma goleada de 5x0 em cima do Sport na Ilha do Retiro. E tem que ser lá, dentro da Casa dos Festejos", brinca o assessor parlamentar Carlos Júnior. "Com esse pouco tempo, eles já fizeram mais do que os que estavam lá. O time está se preparando, não adianta agredir jogadores", diz o comerciante João Santos. |
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