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GAME
People's General é um jogo para estrategistas

por JOAQUIM PRADO
Especial para o JC

O que seria da indústria americana de entretenimento sem bons vilões? O que seria hoje do ator Sylvester Stallone sem os soviéticos, que ele metralhou como Rambo, e nocauteou como Rocky Balboa? Bem, a fórmula continua infalível no jogo de estratégia militar "People's General" (ou o "General do Povo"). No game, surge um novo candidato a "Império do Mal": a China, que tenta tomar conta do pedaço.

O tempo de People's General é pós-2005: a máquina de guerra americana se encontra parcialmente desmobilizada, a Rússia tenta evitar uma guerra civil e um governo nacionalista em Taiwan declara independência em relação à China. Nesse futuro tão implausível, o Exército Vermelho irrompe, atacando a Sétima Frota americana, invadindo Taiwan e apoiando um ataque norte-coreano contra seus irmãos do Sul.

People's General pode ser jogado em cenários isolados ou campanhas inteiras. Assim é possível liderar tropas dos Estados Unidos, Nações Unidas e do que sobrou da Coréia do Sul apenas na retomada de Seul, a capital sul-coreana, ou lutar toda a campanha de liberação da península desde o contra-ataque no porto de Pusan ao sul até à invasão da própria China. Os cenários e campanhas se estendem pela imensidão da Ásia, e é possivel também comandar tropas russas, das Nações Unidas ou da China e seus aliados.

O forte do jogo é o raciocínio, não a velocidade ou a destreza manual. O ritmo é lento, baseado em turnos, e as unidades movem-se desgraciosamente por hexágonos traçados em um mapa detalhado, mas fora de escala. A vitória depende, de pacientemente, aprender a combinar os diversos tipos de unidades. A infantaria, por exemplo, é a melhor opção para assaltar cidades, mas fica vulnerável em campo aberto, onde o tanque é rei. O comandante vitorioso é aquele que melhor combina artilharia, helicópteros, suporte aéreo e mobilidade para sobrepujar o inimigo e defender suas unidades mais expostas.

Infelizmente, tanto o jogo quanto a documentação vêm em inglês, o que é uma falha fundamental. Quem não domina a língua terá dificuldade em aprender as muitas nuances da estratégia. No geral, o game é boa diversão para quem procura um passatempo mais cerebral, mas vai entediar os adeptos da velocidade.

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Jornal do Commercio
Recife - 03.02.99