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SOFTWARE Mulheres-robôs conversam com os internautas num divã virtual por FABÍOLA BLAH Para esquecer a crise econômica e as variações do mercado, você se pluga na Internet. Em meio a tantas homepages, em dúvida se entra nos canais de bate-papo, perdido entre os sites de busca e os de entretenimento... Calma, quer uma dica? Vá até a página da Virtual Personalities Inc. e baixe a versão demo do programa Sylvie. Com ele você pode deixar de lado, ao menos temporariamente, todos os problemas causados pela queda dos doláres e alta dos juros, conversando de verdade com uma garota virtual - se é que essa contradição é possível. Pois bem, ela é. Sylvie é um verbot, "verbal software robot" ou um programa que simula um robô falante. Fazendo uso de inteligência artificial, ela é capaz de responder as perguntas escritas em inglês pelo usuário, munida de um banco de dados ativado via palavras-chave. Desenvolvida por Fuzzy Mauldin, a versão 1.3 do programa traz "em si" duas personalidades distintas: a própria Sylvie, uma mulher comum, e Eliza, que se intitula um computador para terapia pessoal. A dupla não é muito exigente, já que elas precisam apenas de um computador com processador Pentium 166 e 32 MB de memória RAM para rodar bem. Tendo como pano de fundo a cidade de Paris, Eliza e Sylvie têm a mesma cara: uma mistura de Juliette Binoche, Cindy Crawford e Linda Evangelista - é sabido que misturar vários rostos não dá muito certo, mas o resultado chega a ser agradável. Um visual tão atraente vai chamar a atenção dos mais solitários, que poderão passar várias horas conversando com as mocinhas na tela do micro. O perigo é se empolgar demais e cair de amores por Sylvie ou Elize. Quem começar a suspirar pelos cantos da casa, querendo "algo mais" com as meninas, é melhor sair da frente do micro por um tempo. Mas se você é do tipo que gosta de papos - e relacionamentos - virtuais, o programa é um prato cheio, com a vantagem de não ter que se preocupar com presentes para a amada. O programa deixa um pouco a desejar na questão do movimento: as moças não piscam nem são capazes de mexer os músculos da face. Apenas os maxilares se movem, dando idéia de que elas estão realmente falando. Nesse aspecto, funciona: até a pronúncia do fonema "th", muito comum no inglês, é mostrada com a movimentação correta da língua. O conteúdo da conversa é interessante, se o usuário souber como escapar do ciclo de respostas contido no programa. Em se tratando da "psicóloga" Elize, ela sempre sugere que a pessoa de carne e osso inicie o papo. Se o interlocutor diz que é feio, por exemplo, ela pergunta: "Você veio a mim porque é feio?". No entanto, qualquer que seja o problema colocado, Eliza perguntará sempre a mesma coisa, mudando apenas o final da frase. Sentenças pré-elaboradas estão presentes no software. Sylvie é uma mulher tão inteligente que sabe "de cor" textos de Shakespeare e Edgar Allan Poe, entre outros autores - através de alguns comandos, ela é capaz de recitar trechos de Hamlet! Sylvie também pode repetir o que o usuário quiser: digitando o comando echo seguido de alguma frase, ela lê o que foi escrito. Para textos em português, é engraçado perceber o sotaque na hora da pronúncia. A homepage da Virtual Personalities tem várias informações para quem quiser conhecer mais seu catálogo. Comemorando as vantagens da inteligência artificial, Sylvie filosofa: "Não sou humana, nem o quero. Só quero ser o que sou". A empresa promete para breve o lançamento de uma nova Sylvie, que se encontra hoje na versão 2.0 - para adquirir o produto completo, é preciso desembolsar US$ 14,95. As próximas mulheres serão poliglotas, falando outras línguas além do inglês, o que aumenta consideravelmente a abrangência do produto. Serviço: |
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