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DOIS TOQUES
Lula Carlos

Fundo do poço

Dizem que é covardia calar quando se faz necessário falar. Aí eu falo, e digo que o Náutico há tempo vem sendo prejudicado e agüentando tudo calado. Não dá um pio, mesmo porque timbu não pia. Mas mia, e o miau é onomatopéia da voz do bichinho que simboliza o clube alvirrubro. Mia fino, numa languidez de dar pena. Frouxo e fraco.

Jogo da CBF, escalação das autoridades da CBF, e até aqui não entendi porque Luís Carlos, do Santa Cruz, estava regularizado para jogar com o Náutico e não estava para jogar com o Porto. Não adianta querer explicar, que não vou entender nunca. Jogou porque contra o Náutico tudo pode. Mancuso e Almandoz não jogaram de tolos. O Náutico não faria nada e até dançaria o tango.

E o mando de campo? Jogo na Ilha, renda do Sport. No Arruda, renda do Santa Cruz. E nos Aflitos, renda do Náutico. Vai ficar rico. O jeito é fugir do seu campinho nos dias de clássico, mas jogar na casa dos outros é fogo. Da última vez que fez isso, no jogo decidiu a terceira vaga da Copa do Brasil, o público calculado de 40 mil pessoas encolheu para 21 mil.

O Santa ainda abriu a boca, mas o Náutico emudeceu. O clube é calado mesmo. Acredite naquela história de que quem muito fala muito erra e prefere errar em silêncio. No campeonato de 98, melhor colocado que o Santa, levou a pior mais uma vez. A tabela deste ano colocou o Náutico, que foi o terceiro, jogando com o Porto em Caruaru. O jogo é hoje. O Santa, que foi o quinto, enfrentou o Porto no Arruda.

As coisas só acontecem para lascar o Náutico. Em 97, o timbuzinho foi o único grande que jogou em Petrolina. Santa Cruz e Sport foram poupados da estafante viagem. Conta-se que Diógenes saiu de lanterna na mão à procura de um homem. Aposto que não esteve nos Aflitos. O Náutico tem homens, sim, só que eles precisam aparecer e gritar contra essas coisas que estão levando o clube para o fundo do poço.

lulac@jc.com.br


Jornal do Commercio
Recife - 03.02.99