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A Seleção, vírgula O contrato da CBF com a Nike não é um contrato como outro qualquer; é uma rendição melancólica ao poder do dinheiro. Pelo menos é o que se constata ao ler os termos do documento, assinado há três anos, entre a poderosa grife e a CBF. Wanderley Luxemburgo, em entrevista coletiva, tenta suavizar o choque que causou a revelação dos termos do contrato. Diz o técnico que a Nike não tem poder de escolher os adversários da Seleção. Pelo que reza o contrato, tem sim senhor. A Nike pode até ouvir ponderações, mas, se for como no jogo do bicho, em que "vale o escrito", a última palavra é mesmo da grife. No caso dos amistosos com a Holanda, anunciados pelo técnico, menos mal. Trata-se de uma seleção de alta categoria, pra mim, a melhor do Mundial-98. Um jogo entre as duas seleções certamente irá ao encontro dos interesses da Nike, pois a Holanda é também patrocinada por ela. Será a chamada sopa no mel, ditado, por sinal, que pretende sugerir uma feliz coincidência, mas que está longe de produzir um bom paladar. Uma mistura de sopa e de mel deve ser um verdadeiro purgante. Ao tomar conhecimento dos termos da parceria CBF-Nike, posso, agora, entender a onda de maledicência popular que atribuiu a derrota brasileira na final da Copa a um conchavo comercial. É claro que a suspeita não tem a menor procedência. A França venceu limpamente. Jogou melhor que o Brasil e com muito mais desassombro. Além do que a vitória da França correspondia a um triunfo da Adidas, patrocinadora da seleção campeã e a grande concorrente da Nike no mercado mundial de artigos esportivos. De qualquer modo, o boato de marmelada demonstra que a imaginação coletiva já estava escabreada de tanto ouvir falar que a Nike manda mais na Seleção do que a CBF. E não é que manda mesmo? A DUPLA DA RESSACA - Não há mais dúvida: Corinthians e Palmeiras não estão nem aí pro Torneio Rio-São Paulo. Pros dois, o torneio não passa de uma estação de cura-ressaca. E dá até pra entender. Seus times terminaram o ano em plena liça, um disputando o Campeonato Brasileiro e o outro a Copa Mercosul. Tiveram que retardar as férias e, conseqüentemente, a pré-temporada ficou pro ano que vem. Sem pernas e sem a natural motivação, Corinthians e Palmeiras converteram-se em sacos-de-pancadas dos times cariocas. Um são-paulino radiante me dizia que não merece viver o momento que está vivendo: ao mesmo tempo em que seu time vai vencendo cada jogo, o Corinthians e o Palmeiras vão perdendo - e perdendo feio. Meu bom amigo é a encarnação do velho provérbio que a vida transmite ao futebol: "não basta ser feliz, é preciso que os outros não sejam". DE POETA PRA POETA - Ultimamente, deram pra me chamar de poeta. Uns, por carinho, outros, com intenção pejorativa: ora, é pra engrandecer, ora, pra escarnecer. Fico na minha. Poeta não sou; quando muito, me emociono com a poesia; às vezes, sinto-me ligeiramente poético. E é com um olhar, assim, meio poético que leio, freqüentemente, na minha mesa de trabalho, a redondilha ao pé da foto que Drummond dedica ao também poeta Thiago de Mello: "Em casa de poetas, o poeta / posto no seu abstrato nicho / só lhes pede, com ar pateta! / Eu, hein? Não me botem no lixo! RÁPIDAS E RASTEIRAS - Novos tempos no esporte da Bandeirantes: Luciano Calegari Jr. assume a direção esportiva da rede e já começa a mexer o time. Juca Silveira, que comandava o esporte da casa, já está cuidando de outra área, sem, contudo, perder o "status" de profissional da confiança da família Saad. ***** Domingo, o frio na Itália chegou a bater menos de 13 graus Celsius. Ainda assim, os estádios estavam lotados. Por aqui, 40 graus acima, lá, 13, abaixo de zero. O futebol ignora solenemente os termômetros. ***** Recebi um e-mail da leitora Teresa Gondim Espírito Santo. A mensagem é confete só. Obrigado, moça. ***** A crônica em que respondi a uma agressão do leitor Coelho mexeu com a sensibilidade dos leitores. Choveu e-mail, espinafrando o Coelho. Há um, porém, que não só apóia o Coelho como vai mais longe nas agressões a mim. O indigitado assina o nome completo, coisa que o Coelho não fez. Mas, não vou dar nome ao boi. Desconfio que esse está é querendo fazer cartaz à minha custa. ***** Renato Gaúcho não suportou o ostracismo e vai jogar pelo Bangu. O ser humano, depois que prova o gostinho da notoriedade, perde o senso da vida e não percebe que quem envelhece é ele, homem, e não o tempo, esse meio sucessivo, indefinido que nos ignora a todos, solenemente. Contente-se com seu belo passado, rapaz! ***** Digno de louvor o trabalho de Parreira, no Fluminense. Eu, que tanto o critiquei pela Seleção sem graça que ele montou em 94, rendo-lhe, agora, as minhas homenagens por vê-lo, fazer renascer o time do Fluminense. E o que é mais louvável: um tanto liberto das amarras defensivistas de outros tempos. ***** Eurico Miranda não quer mais ver jogador de brinco, em São Januário. O singelo adereço, pra ele, é o responsável pelo medíocre futebol que o time tem jogado, ultimamente. Proibir o brinco é tão inócuo quanto tirar da sala o sofá à sombra do qual a mulher passava o marido pra trás com o tintureiro. Correspondências para "Na Grande órea": Cx.Postal: 34062 - CEP: 22.462-970 -Rio de Janeiro - RJ - http://www.armandonogueira.com.br - E_MAIL: xapuri@armandonogueira.com.br |
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