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PINGA FOGO
Inaldo Sampaio

O meio sucesso

No discurso com que assinalou na última quinta-feira a sua despedida da Câmara Federal, o ex-deputado Roberto Campos disse: "Sempre acreditei que as nações só podem ser salvas pelo claro sucesso, que gera confiança, ou pelo fracasso exemplar, que provoca mudanças. O perigo está no meio sucesso", de que seria exemplo o Plano Real: obteve êxito na queda da inflação e "insucesso crescente" no câmbio e no fisco (além de elevar a taxa de desemprego no país). Nuances de economia à parte, o fato é que o Plano Real está exaurido, como plano de estabilização monetária, e que os seus condutores estão perdidos (os que o formularam há cinco anos estão fora do governo há muito tempo) a ponto de levarem o presidente da República ao constrangimento de substituir o presidente do Banco Central vinte dias após tê-lo convidado para a função de guardião da moeda. Se chegarmos ao estágio do "fracasso exemplar" para daí surgir um novo Brasil, o sacrifício terá valido a pena. Se não, que se arquive a agenda do "meio sucesso" e se siga os conselhos de ACM: "Precisamos de uma agenda positiva, de fatos importantes para o país. E deixar de falar só em câmbio, dólar e bolsa".

Paz nas estradas

Do ex-prefeito de Carnaíba, José Francisco Filho (PFL), o "Didi", sobre a operação "Paz nas estradas" que o Governo do Estado detonou visando reduzir a criminalidade nas rodovias do sertão: "Se Jarbas acabar com a bandidagem, terá sido o voto mais bem dado que eu já dei pra governador em toda minha vida". "Didi" tem um exemplo de bandidaagem dentro de sua própria casa. Seu pai, José Francisco, de 85 anos, foi vítima de sequestro um ano atrás, próximo a Afogados da Ingazeira, e passou 59 dias em poder dos sequestradores numa cidadezinha do interior de Sergipe. Para tê-lo de volta, a família pagou R$ 250 mil.

Aliança futura

Do deputado João Mendonça justificando o voto em Bruno Araújo (PSDB) para a 1ª vice-presidência da Assembléia Legislativa: "Votei nele por dois motivos. Primeiramente, porque Zé Mendonça me pediu. Em segundo lugar, porque ele teve mil votos em Belo Jardim e poderá ser nosso aliado na eleição municipal".

Bom de urna

O deputado Severino Cavalcanti (PPB) confirmou ontem mais uma vez sua condição de "bom de urna". Foi reeleito para a 2ª vice-presidência da Câmara Federal com dois votos à frente de Michel Temer (PMDB-SP), que foi reconduzido à presidência. Dois anos atrás, a diferença foi ainda maior: Zito obteve 323 votos, contra 257 do então candidato a presidente.

Nova missão

Joel de Holanda (PFL) despediu-se do Senado com um discurso conciliador. "Fora da política, do diálogo franco e respeitoso, não há sociedade que se desenvolva", disse ele. Apartearam-no 11 senadores mas o elogio maior coube a ACM: "V. Exa. honrou o Senado com a sua atuação. Vai fazer falta. Mas temos certeza de que terá uma grande atuação na Câmara Federal".

Do coração

Do deputado João Paulo (PT) sobre ter votado em Geraldo Coelho (PFL) para presidente da AL: "O candidato do meu coração era Zé (Marcos). Mas precisávamos marcar uma posição".

Dívida menor

Informa Luiz Piauhylino que o débito do PSDB herdado da campanha eleitoral, "faturado em nome do partido", é bem inferior a R$ 1 milhão. "Se existem outros eu não sei", garantiu.

Necas- A defesa da fidelidade partidária consta da pauta da reforma política que está tramitando no Senado, mas só por milagre será aprovada. Motivo: não há interesse. Dos 25 deputados federais eleitos por Pernambuco, três trocaram de partido antes mesmo da posse: Batata, Joca Colaço e Salatiel Carvalho.

Contra- Líderes dos principais partidos de oposição reuniram-se sábado no Rio de Janeiro para tentar "unificar" o seu discurso em relação ao governo. Estavam lá Brizola e Arraes, que não gostaram nada do encontro "clandestino" de Lula com FHC: às 11 hs da noite, no Palácio do Alvorada, e longe das câmeras de TV.

inaldo@jc.com.br


Jornal do Commercio
Recife - 03.02.99