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TRABALHO INFANTIL Prefeitos reclamam de corte de verba Uma comissão formada por cinco prefeitos, representando 51 municípios, foi até o Palácio do Campo das Princesas, ontem à tarde, protestar contra o corte de mais de 60%, por parte do Governo Federal, dos recursos destinados ao programa de erradicação do trabalho infantil no Estado. O grupo foi recebido pelo governador Jarbas Vasconcelos (PMDB), que se disse sensibilizado com a redução da verba e se comprometeu em intervir junto à União para rediscutir os valores. A audiência entre os prefeitos e Jarbas foi articulada pelo secretário de Planejamento e Desenvolvimento Social, José Arlindo Soares. Antes da reunião, pela manhã, José Arlindo entregou um relatório ao governador, onde se queixava do corte. Segundo o secretário, o documento foi enviado, via fax, para o vice-presidente Marco Maciel (PFL). À tarde, os prefeitos entregaram um outro documento a Jarbas, também com o mesmo teor. A comissão vai reivindicar uma audiência com Maciel para tratar do assunto. CRÍTICAS - "Justamente no momento da entressafra na Zona da Mata a União resolve fazer um corte como este. Quando a crise econômica aumenta, o ideal é que programas sociais sejam reforçados para compensar o impacto de desemprego. O que está acontecendo é o contrário", reclama José Arlindo. "O vice-presidente se comprometeu, em campanha, de aumentar de 68 mil crianças atendidas com o programa até agora, para 100 mil. Ao invés de cumprir o que disse, reduziu. Isso inviabiliza o projeto e condena as crianças a manter-se no corte da cana, como na escravidão", ataca o prefeito do Cabo de Santo Agostinho, Elias Gomes (PSB), que representou os municípios da Região Metropolitana na reunião. De acordo com os dados levantados pela Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Social, até dezembro do ano passado 68,8 mil crianças tinham sendo beneficiadas com o programa de erradicação do trabalho infantil. Foram gastos, em 1998, R$ 24,2 milhões e só para este ano, a previsão era de R$ 51 milhões, o necessário para atender a meta das 100 mil crianças. Com o corte, o repasse para Pernambuco é de R$ 18,6 milhões. Além dos 51 municípios incluídos no projeto, a idéia era atingir outros 12 e ampliar o programa, até então restrito para coibir o trabalho infantil no corte da cana, para a retirada das crianças do trabalho nas casas de farinha. Antes de ir ao Palácio das Princesas, mais de 30 prefeitos se reuniram na sede do Condepe para discutir o andamento do programa. |
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