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CARNAVAL VI A mágica Noite dos Tambores Silenciosos Meia noite da terça-feira de Carnaval no Pátio do Terço, no bairro de São José, centro do Recife. Neste local secular, pode ser vivenciada uma das experiências mais fantásticas da nossa cultura. É lá onde acontece a Noite dos Tambores Silenciosos, que reúne, anualmente, em frente à Igreja do Terço, quase todos os afoxés e maracatus de baque do Recife. Por lá, durante anos, desfilou a lendária Dona Santa, mãe de santo do Maracatu Nação Elefante, o mais antigo do mundo, fundado em meados do século passado. Os Tambores Silenciosos vêm atraindo mais foliões a cada ano. E recebido presenças notórias. No carnaval de 1996, por exemplo, Moraes Moreira e Marisa Monte estiveram no desfile. É o ritual o que mais impressiona. Quando o relógio bate meia-noite, as luzes são apagadas e os tambores são tocados. Alguns dos instrumentos são os mesmos utilizados nos terreiros. Tocados, também, por ogãs, filhos de santo da casa de camdoblé a que pertencem. Depois, cada maracatu ou afoxé faz o seu desfile. São pequenas apresentações - a rua possui pouco mais de cinquenta metros - mas todos os maracatus participam, como se fosse uma obrigação religiosa. Sabe-se que eles possuem uma ligação profunda com a umbanda. As calungas ou bonecas de maracatu, símbolos fortes deste folguedo, são mantidas sob a guarda das mães de santo de cada maracatu. Funcionam como epicentro da energia espiritual de cada grupo, e só saem para os desfiles. Já os afoxés surgiram como candomblés de rua. Como os cultos afro foram perseguidos, principalmente durante o governo Vargas, os negros usavam o disfarce da manifestação folclórica para, na verdade, realizarem na rua os rituais proibidos nos terreiros. |
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