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ARTIGO

Outro reitorado

por MOZART NEVES RAMOS*

O sentimento do dever cumprido, de ter dado o melhor de mim, não é maior do que aquele do muito que ainda tenho para fazer e, sobretudo, do que deixei de fazer. Não obstante a expressiva vitória alcançada tanto na consulta à comunidade como no Colégio Eleitoral - que inclui o Conselho Universitário mais o Conselho de Curadores -, resultado recentemente referendado pelo ministro Paulo Renato Souza, em sua última visita à terra de Joaquim Nabuco, sei que a tarefa de condutor da UFPE, para os próximos quatro anos, não será fácil.

A autonomia universitária exigirá uma mudança de postura da instituição. Os debates, discussões e caminhadas realizadas durante a campanha me mostraram claramente o tamanho inicial do problema. Esses quase oito anos na administração central, quatro como pró-reitor e quatro agora como reitor, me ensinaram muita coisa, mas aprendi também que a dinâmica da instituição é maior do que esta aprendizagem. E isto é bom. Sinto-me feliz, mas longe de estar realizado. Será o mesmo reitor para outro reitorado. É assim que sinto o futuro.

Entretanto, lembro que o atual ainda não acabou, mas não esperarei o seu término para iniciar as mudanças necessárias. Pretendo, de imediato, colocar em marcha alguns projetos estratégicos para o futuro da instituição, como a criação do Centro de Informática, a reforma do Estatuto e Regimento, a implantação de um novo sistema de comunicação e de descentralização administrativa, além da conclusão da rede de fibra ótica do Campus. Um deles, a reforma do Estatuto e Regimento, já vem se arrastando por muito tempo.

Tentei iniciá-la, mas não tive êxito. As dificuldades externas foram muitas. Primeiro, fiquei na espera da aprovação da nova Lei de Diretrizes e Bases (LDB), depois no aguardo da autonomia que, até aqui, não veio, sem falar nos constantes entraves das universidades federais com o Governo. Enfim, o clima externo não ajudou. Mas, espero que agora ela se faça, ainda neste reitorado.

Não farei assembleísmos para isso, mas levarei a discussão ampla com a comunidade e sociedade. Os novos meios de comunicação ajudarão em muito. Lutarei para que seja um Regimento enxuto e descentralizado. Uma comissão do Conselho Universitário será constituída para conduzir o processo, tomando por base a experiência, o mérito e o exemplo de vida profissional. E para isso não medirei esforços, mudanças serão implementadas e assim, a UFPE do Século XXI começará a ser vestida.

Será preciso adequar a UFPE para a autonomia, o perfil da administração será outro. Mesmo aqueles que irão continuar, precisarão se enquadrar a esse novo tempo. Estou absolutamente consciente da confiança em mim depositada pela comunidade universitária e farei, de tudo, para não decepcioná-la. Este é meu primeiro dever e procurarei não falhar. Será preciso renovar o perfil da instituição, dar oportunidades ao surgimento de novas lideranças. Trazer os mais titulados para dirigir as unidades de ensino e pesquisa. Reduzir o corporativismo interno e dar chances às novas idéias.

Não será uma tarefa simples, mas estou motivado para iniciar o processo de renovação desta UFPE. Dois macro-objetivos serão perseguidos: o da melhoria da qualidade da formação acadêmica e o da otimização da gestão. Será preciso preparar gestores eficientes para esta nova universidade. Como disse, estou motivado, preciso apenas me superar. Tenho consciência das minhas limitações, mas estou sempre disposto a aprender, a ouvir. Superar deficiências e implementar mudanças não são tarefas fáceis. Por outro lado, é gratificante quando se pode e se quer. Farei por elas, as futuras gerações, que merecem um mundo melhor, mais justo e digno. A elas dedico esta vitória e agradeço àqueles que em mim confiaram.

* Mozart Neves Ramos é reitor da UFPE (mramos@npd.ufpe.br)


Jornal do Commercio
Recife - 03.08.99
Terça-feira

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