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LIVROS IV
Anne Rice acabou no Brasil

Para quem não lembra, Anne Rice é a autora da saga do famoso Vampiro Lestat, que rendeu um quilométrico número de páginas, não tão extensa assim no quesito qualidade literária (o último, Pandora, é o melhor exemplo disso). Pelo o que parece, a cada livro novo, a americana dá a impressão de estar "vampirizada" pela fórmula que a consagrou em sua obra de estréia, A Entrevista com o Vampiro: enormes flashbacks, passagens pela Europa e Nova Orleans (terra natal de Anne) e seres imortais amargurados relacinando-se com meros mortais. Em seu recente lançamento, Violino, pela Editora Rocco, a história não é muito diferente. Nesse caso, talvez a única diferença seja uma passagem pelo Brasil, mas precisamente no Rio de Janeiro.

Violino é talvez o pior dos livros já escritos por Anne Rice, e, tomando emprestado uma feliz definição da revista Veja, sobre essa obra: a autora confundiu literatura de horror com literatura horrorosa. As 286 páginas do livro têm um enorme ar de coisa requentada, de quem não sabe ir além do que já foi.

O romance relata a vida de Triana, uma viúva, obstinada em se tornar uma grande musicista, que acaba se envolvendo com Stefan, um fantasma atormentado de um aristocrata russo, discípulo e amigo de Beethoven (!!!). Stefan usa seu violino mágico para enfeitiçar, seduzir e enlouquecer Triana por meio da música.

Quando toda essa estória acaba no Brasil, há um impagável - de tão engraçado que é - trecho em que a autora se refere ao nosso país da seguinte forma: "O Brasil não é outro país. É outro mundo, onde os sonhos assumem formas diferentes, as pessoas se comunicam todo dia com espíritos, santos e deuses africanos que se fundem em altares dourados". Fãs de livros do gênero, não se preocupem tanto, afinal Stephen King acabou de lançar um livro novo.

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Jornal do Commercio
Recife - 03.08.99
Terça-feira