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CHANCE DE PROVAR
A legítima cozinha austríaca à beira-mar

por FLÁVIA DE GUSMÃO

Se fosse para indicar o principal defeito do cenário gastronômico do Recife, este seria a sua falta de cosmopolitismo ou, por outra, a falta de restaurantes com cozinhas de nacionalidades variadas. Aqui, o gourmet se ressente de não poder ir a um restaurante grego, tailandês ou marroquino. Bem ou mal, contorna-se essa lacuna com os festivais que, de vez em quando são lançados na cidade.

O Hotel Atlante Plaza está estendendo por mais uma semana o Festival de Cozinha Austríaca que está ocupando seu restaurante panorâmico, o Mirage. Um conselho válido para quem aprecia conhecer a cultura de outros países através de sua gastronomia é esse: aproveite essa chance, o investimento é válido. Primeiro porque quem assina o menu é o austríaco Erick Dietl e, segundo, porque ele não fez concessões (como aconteceu no ano anterior) ao paladar brasileiro, ou seja, ele não "abrasileirou" nenhuma das sugestões.

A entrada deve ser escolhida entre as sugestões mais leves, pois, o que vem adiante é carga pesada. Uma boa opção é a salada de espinafre com faisão, nozes, frutas secas e vinagrete de maçã. Uma sopa de batatas à moda de Viena, com funghi e manjerona também é um bom representante.

O que vai se degustar no Festival Austríaco é a rica cozinha bávara, uma região que mistura quase homogeneamente os dois países vizinhos, Áustria e Alemanha. Uma culinária farta, aromática e, sobretudo, saborosa. A proximidade com a Itália revela-se em muitos pratos austro-alemães. Verifique o risoto com carne de porco e um espesso molho de páprica: ainda mais reconfortante com um bom e encorpado vinho tinto (pode se um italiano, embora um espanhol cause mais impacto).

Se a pedida é aproveitar a viagem para ter um "gosto" mais amplo da região, a solução é pedir um combinado (os pratos são individuais) capaz de afugentar os menos destemidos: chucrute, tender cozido, lombo assado, salsicha frita e o quenele de pão branco. Este último é uma das iguarias austríacas mais típicas. Trata-se de um pão francês "dormido" que, depois de embebido em leite, é cozido em água fervente. Sua neutralidade arremata o sabor levemente "azedo" do chucrute.

O macarrão austríaco - ou spatzle - foi preparado com criatividade. Na falta de equipamento adequado para dar forma à massa, Dietl utilizou uma bandeja perfurada por onde as pequenas "conchas" caem direto na água fervendo para depois serem fritos junto com o presunto. Para acompanhá-lo: filé de truta com molho de agrião.

É difícil encarar sobremesa depois da entrada e do prato principal de uma cozinha nada light, mas os austrícos são conhecidos por sua capacidade de transformar tudo o que é doce em material irresistível. Vejam o caso da omelete doce com compota de mação; ou o pudim de arroz com morangos. Mais tentador ainda pode ser a torta de chocolate à moda sacher. Depois de tudo, o jeito é encarar uma das variedades de cafés mais famosos, num país que tem um queda por deixá-lo alguns graus abaixo de como é consumido no Brasil.

Serviço

Festival da Cozinha Austríaca
Restaurante Mirage
Atlante Plaza - Av. Boa Viagem, 5.426, fone: 462.3333

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Jornal do Commercio
Recife - 03.08.99
Terça-feira