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ENTREVISTA / A. E. A. O. "Apesar das ameaças, levei o caso até o fim" Faz 11 anos que A.E.A.O. foi estuprada por Ximenes. Com 36 anos e mãe de dois filhos, ela diz não ter deixado o crime estragar sua vida. JC- Como Ximenes fez a abordagem? AE - Eu saí de um bar com a minha irmã por volta das 23h. A gente vinha andando por uma rua meio escura quando ele se aproximou com o carro. Ele segurou no meu braço e apontou uma arma, mandando que entrássemos no carro. Ficamos sentadas no banco de trás e ele manteve a arma entre as minhas pernas. Primeiro, ele mandou minha irmã baixar a cabeça e eu deitar no banco do carro. E disse para eu tirar a roupa. A partir daí, mandou que eu passasse para o banco da frente. Minha irmã gritava e ele dizia que ia matá-la. Pedi para que não tocasse nela, que ele poderia fazer o que quisesse comigo. JC - Em que hora você viu o rosto dele? AE - Ele estava de óculos escuros e boné, mas não fazia esforço para esconder o rosto. Chegou até a ligar a luz interna do carro. Eu não olhava diretamente, mas vi o suficiente para identificá-lo mais tarde. JC - Para onde ele levou vocês? AE - Era um lugar escuro e sem movimento. Foi onde fui estuprada. Em seguida, ele nos deixou num local indicado por mim. Chegou a se oferecer para ir até a minha casa, mas recusei. Era por volta de 1h, quando pegamos um táxi e fomos para casa. JC - Ele fez algum tipo de ameaça? EA - Disse que eu deveria me calar porque ele sabia onde eu morava e conhecia minha família. Explicou que me escolheu depois de ter me visto várias vezes, inclusive na praia. JC - Por que você não denunciou o fato na época e só quando virou notícia? AE - Meu pai, uma pessoa muito conhecida, pediu para que eu não fosse à delegacia. Só quando vi as outras mulheres na televisão, decidi acusá-lo. Depois que ele fugiu, ainda tentaram nos subornar e fizeram ameaças. Queriam que eu retirasse o processo, mas eu o levei até o fim. |
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