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LAUDO
Exame de DNA mostra que ossada não é de Narcisinho

por ROBERTA SOARES E ANA LUIZA AGUIAR

Mais uma reviravolta no caso Narcisinho. O laudo do Instituto de Patologia Clínica Hermes Pardini, de Belo Horizonte, divulgou, ontem à tarde, que o exame de DNA feito na ossada - enterrada como sendo a de Narciso Ferreira dos Santos Neto, desaparecido em 1991, aos 12 anos - deu negativo. O exame foi solicitado no final do ano passado pela advogada Maria Lúcia Brandão, que defende os quatro condenados pelo assassinato do menino, entre eles o tio de Narcisinho, Ronaldo Costa.

Com base no resultado do exame, ela pretende pedir a anulação da sentença e libertar seus clientes. "A Justiça vai ter que pagar caro por esse erro. Vou ter o prazer de humilhá-la. O que aconteceu é um absurdo jurídico dos mais graves. Meus clientes foram condenados sem que existisse a vítima. Esses sete anos de prisão vão custar muito caro", afirmou.

Para chegar a esse resultado, o laboratório Liac, do Recife, colheu amostras de sangue dos pais da criança (Narciso Ferreira dos Santos Filho e Marinalva da Costa Santos), de tecidos da ossada enterrada em Carpina e de parte do pé esquerdo - que havia sido guardado pelo Instituto de Medicina Legal (IML) após a perícia que identificou o corpo realizada em janeiro de 92 - e os enviou ao Instituto Hermes Pardini. No entanto, a amostra colhida do pé não pôde ser analisada por estar bastante deteriorada pelo formol. Com as amostras em mãos, o PhD em genética Victor Pardini, autor do laudo, concluiu que o DNA da ossada jamais poderia ser de um filho do casal.

A advogada dos condenados garante que vai entrar com um pedido de indenização contra o estado e contra o pai de Narcisinho, hoje prefeito de Brejo da Madre de Deus. A advogada tem absoluta certeza de que Narciso sabe onde está seu filho. "Ele fez tudo para evitar esse exame. Chegou a entrar com uma ação por calúnia contra mim. Agora sou eu quem vai processá-lo pelo mesmo crime", declarou.

Narcisinho foi seqüestrado em 91, e sua suposta ossada foi encontrada no início do ano seguinte. A perícia do IML, que identificou a ossada através da arcada dentária, apontou espancamento como a causa da morte.

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Jornal do Commercio
Recife - 03.08.99
Terça-feira