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HEMATOLOGIA Médicos investigam nova doença do sangue O acúmulo de ferro no organismo pode provocar uma doença ainda pouco conhecida dos especialistas, mas que já acomete alguns brasileiros. A hemocromatose, uma enfermidade genética hereditária, está sendo analisada por pesquisadores do Programa de Mestrado Interinstitucional do Hemope, em parceria com a Universidade de Pernambuco (UPE) e a Universidade de São Paulo (USP). Segundo o médico hematologista do Hemope, Raul Melo, a deposição de ferro em vários tecidos e órgãos humanos pode provocar o aparecimento de diversas doenças, como cirrose hepática, miocardiopatia (doença do coração), diabetes, artrite, hipogonadismo (problema nas gônadas) e hipotireoidismo. "A hemocromatose decorre de mutações genéticas de um gene, o HFE, e ocorre, mais freqüentemente, em populações caucasianas (de cor branca)", garante. "Outra característica da doença é que ela se manifesta, geralmente, em indivíduos com mais de 30 anos", acrescenta o médico. Apesar de estar presente em três a oito casos para cada mil habitantes de cor branca - o que é considerado relativamente alto pelos especialistas -, a doença não é muito comum no Brasil, onde a maioria da população é mestiça. Ainda assim, pesquisadores da Fundação Hemope estão analisando amostras de sangue de doadores, com intuito de descobrir a incidência das mutações do gene HFE nos brasileiros. Até agora, do total de 1.423 doadores, três apresentaram hemocromatose. "Nossa idéia é oferecer um exame molecular da doença, para que possamos estudar, detalhadamente, a freqüência de suas mutações em nossa população", conta Melo. A constatação de alguns casos de hemocromatose na população local, no entanto, não é motivo para alarde. De acordo com Melo, a doença pode ser prevenida facilmente. "Caso seja identificada, com antecedência, que um indivíduo apresenta uma quantidade elevada de ferro no sangue, ele já pode iniciar um tratamento, que consiste, basicamente, da retirada de sangue", diz Melo. Isso evitará que, futuramente, a hemocromatose provoque o surgimento de novas doenças, complicando o estado de saúde do paciente. A pesquisa, financiada pela Fundação de Amparo à Ciência (Facepe), venceu o prêmio de melhor trabalho na 3ª Jornada de Iniciação Científica da instituição, em junho, na Unicap. |
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