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Tricolores na disputa pelo melhor churrasco

Quem pensa que churrasco é a mesma coisa em qualquer lugar é bom saber da "guerra" interna que existe no time do Santa Cruz. Protagonizam a disputa o técnico gaúcho Otacílio Gonsalves e o meia argentino Mancuso. Mancuso segue o modelo tradicional de seu país. Lá, o corte da carne é mais estreito do que o feito no Brasil. "É tipo um bife com muita gordura", ensina o jogador. Para Mancuso não deve haver fogo, apenas a brasa.

"Por isso a carne fica bem pertinho do calor. Na verdade, cada mão é diferente, não há segredo." O seu companheiro de equipe, o técnico Otacílio Gonsalves, discorda com relação à peça da carne, que para ele tem de ser inteira. No mais, é tudo parecido. Ele tem até uma máxima de churraqueiro. "Carne tem de ser gorda e mulher tem de ser magra", brinca.

O técnico tricolor prefere uma boa costela e ensina que nunca deve-se ter pressa para assar uma carne. "Senão fica queimada por fora e crua por dentro. Por isso o fogo deve ser baixo", analisa. Ele não gosta de muito acompanhamento. Uma boa churrascada precisa de, no máximo, cebola, salada verde e uma maionese de batata. "No frio, o vinho também cai bem", diz o gauchão.

Na verdade, o churrasco tem muito a ver com o gosto de quem faz. O cantor e compostor Nando Cordel tem um estilo todo seu de preparar a carne. "Gosto de colocar sal, azeite e vinagre. Fica um gosto muito especial", diz, para desespero dos mais puristas, que não admitem nada além do sal grosso. De acordo com Nando Cordel a melhor parte do boi é o cupim. Porém, antes de comer o cantor passa por um "ritual". "Como muita folha verde antes da carne. Dizem que isto ajuda a tirar as toxinas", ensina. (L.S.)

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Jornal do Commercio
Recife - 30.07.99
Sexta-feira