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COMPORTAMENTO III "TV é apenas a vitrine da sociedade" A culpa de possíveis inversões no comportamento de crianças não pode ser atribuída unicamente à televisão. Ela é apenas uma espécie de vitrine do que acontece na sociedade. Com a experiência de quem tem um mestrado na área, a doutoranda em semiologia e jornalista pernambucana Aline Greco afirma que toda a discussão em torno de uma possível culpa da televisão encobre, na verdade, um problema mais profundo: a desestrura da educação e da família no Brasil. "Diante do qual, aliás, a televisão tem sua parcela de contribuição", pondera a especialista. "Está se querendo responsabilizar a televisão por um problema que não é de sua competência. Ela está inserida no meio de um quadro muito maior", diz. "A televisão tanto pode ser usada para boas como para más finalidades. Com uma formação consistente e de caratér, um adolescente dificilmente vai achar que a vida é apenas jogos de sedução e ginástica ao assistir à Malhação". Ela vai mais além, ao dizer que boa parte das famílias se omite da educação de seus filhos transferindo suas responsabilidades para o aparelho eletrônico. "A família deve ser responsável pela discussão dos assuntos pertinentes ao crescimento da criança. Mas o que acontece é que muita gente abre mão do diálogo e deixa essa tarefa para a TV" diz Greco. "Na Europa, há programas de baixíssimo nível na televisão mas eles não temc a penetração e repercussão apresentados no Brasil simplesmente por que lá há uma outra estrutura social. As pessoas têm acesso à cultura e a educação e a tv é apenas um detalhe na vida social", acrescenta. Um fenômeno recente, entretanto, mostra que os sinais eletrônicos capturados pelas antenas têm grande parcela de responsabilidade. É o que se está chamando de erotização precoce da infância. "Em nenhum outro lugar, você vê crianças tão expostas como nos programas de audiório de domingo. As crianças que participam de concursos como o Tcham Mirim estão expondo uma sensualidade que nem possuem ou entendem ainda", diz a psicoterapêuta Albânia de Carli. "Eu evito comprar os produtos relacionados às dançarinas do momento porque eles estimulam um comportamento inadequado para a idade da minha filha", ratifica Telma Rocha. Os possíveis efeitos que a televisão pode gerar, mais uma vez, são corroborados pela vida social. O que faz com que haja uma confusão entre o que é causa e efeito. "O mais grave é quando professores realizam esses concuros nas escolas. Não adianta condenar a TV, se o próprio colégio reforça o que não deveria alimentar", expõe Aline Greco. Volta-se, então, à questão principal: a TV oferece o que a audiência quer ou dita seus gostos?(B.A.) |
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