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Apronto geral A cadeia produtiva da economia rural vai do preparo do solo à embalagem de plástico da margarina, ao par de meias de algodão, à borracha sintética dos pneus do trator, ao misturador da ração balanceada à mineração de adubos, à corretora da bolsa de mercadorias, ao caminhoneiro da fronteira agrícola, à feira livre da rua ao lado, ao distribuidor de defensivos químicos, ao embarque marítimo da soja, ao torrador de café, às pesquisas agronômicas, à informação agrícola, ao fabricante de bombas de irrigação... Em resumo: no conceito da cadeia produtiva, vulgo agronegócio (do inglês agribusiness), os generosos frutos da terra devem movimentar, este ano, nada menos de R$ 385 bilhões. Ou 40% do PIB, estimado, para este ano, a preços de junho, em R$ 970 bilhões (na hipótese de PIB zero, com IPA de 8%). Lideranças do agronegócio ajustam, hoje, com o governo brasileiro, a posição do setor privado para a maratona de negociações da Rodada do Milênio. Que bicho é esse? A rediscussão das regras do jogo da Organização Mundial de Comércio (OMC), a partir de dezembro, em Seattle, EUA. Com ênfase no mercado global de produtos agrícolas, ainda uma "ilha de proteção" no oceano da liberalização do comércio e da globalização da economia. Organizado pela Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo e patrocinado pelo Itamaraty, o seminário desdobra-se hoje no Memorial da América Latina, em São Paulo. O secretário paulista João Carlos Meirelles enquadra o alvo: "Vamos discutir com o setor privado a estratégia brasileira para enfrentar a resistência protecionista de europeus e americanos. Até porque é com eles que estamos ensaiando áreas de livre comércio a partir de 2006". No bloco da manhã, a estratégia brasileira para a rodada do Milênio e as políticas agrícolas dos Estados Unidos e da União Européia. Participação do diretor-geral do Departamento Econômico do Itamaraty, embaixador Valdemar Carneiro Leão. Que debaterá o tema com Luiz Suplicy Hafers (SRB), Roberto Rodrigues (Agribusiness), Omar Assaf (Apas), Décio Zylberstajn (USP), Jório Dauster (Vale do Rio Doce) e Mauro Alves (Fetaesp). No bloco da tarde, painel com os ministros Felipe Lampréia (Relações Exteriores), Pratini de Moraes (Agricultura) e Clovis Carvalho (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e o embaixador José Botafogo Gonçalves (Camex). A posição brasileira será levada à reunião ministerial do Grupo de Cairns, no fim do mês, em Buenos Aires. Grupo dos 15 países que têm no agronegócio de 40% a 80% do valor total de suas exportações. Liderado por Brasil, Argentina, Canadá e Austrália. No Brasil, a fatia verde nos embarques totais é de 40%. Farm ACT Os Estados Unidos dispõem de uma Política Agrícola digna do nome. Ela está definida em lei, a do Farm Act, versão 1996, com vida útil, mui útil, até 2002. Ela estabelece as regras do jogo para os mercados interno e externo. Ainda o Pac Na União Européia, o modelo da economia rural foi lançado em 1962 e revisado em 1992. Enquadrado em lei, chama-se Política Agrícola Comum (PAC). Cultiva subsídios e confiscos do protecionismo comercial "imexível". Nova força No Brasil, com décadas de atraso, o governo abre o mercado futuro de produtos agrícolas, da Bolsa de Mercadorias & Futuro (BM&F), para investidores estrangeiros. O mercado ganha liquidez em bolsa e garantia na terra. Contrapé No primeiro semestre, sobre o mesmo período do ano passado, a agropecuária brasileira exportou 13% mais e faturou 4% menos. Culpa da queda dos preços globais, especialmente da soja, café e açúcar. Na soja, as divisas recuaram 21%. |
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