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PROCESSO Tirar o visto pode virar uma dor de cabeça por JULLIANA MELO Fique atento na hora de programar a viagem ao exterior. Alguns países exigem visto de entrada e nem sempre é simples adquirí-lo. Fazer o pedido com antecedência, preencher formulários, enfrentar entrevistas - em alguns casos - e se deparar com imprevistos no momento do desembarque são detalhes que podem acontecer, inclusive com o risco do cancelamento da viagem, caso a solicitação seja negada. Alguns procedimentos são de praxe, como a entrega dos formulários, solicitação de fotos recentes e pagamentos de taxas, que variam de acordo com cada país. Para ir ao México, por exemplo, é necessário apresentar, além do passaporte com validade de no mínimo seis meses, 1 foto 3x4, reservas de passagens, cópia comprovante de residência, último contra-cheque e pagar, em espécie, no próprio consulado, a taxa de R$ 95,00, variável de acordo com o dólar. O consulado mexicano aconselha dar entrada no visto 15 dias antes do embarque, principalmente nos períodos de férias, quando o número de requisições triplicam. Em outros países, alguns pré-requisitos são específicos, como um atestado de vacinação contra a febre amarela, para quem quiser conhecer o deserto do Saara ou as pirâmides do Egito. Como não existe consulado egípcio no Recife, o pedido de visto deve ser recorrido à embaixada e os documentos enviados via sedex, incluindo no pacote a taxa de R$ 40,00 mais o valor de retorno da encomenda. A maioria das agências de viagens oferece o serviço de despachante, providenciando diretamente com as embaixadas, a solicitação. Neste caso, o preço aumenta. O engenheiro Fernando Paiva, 30 anos, preferiu dispensar esse serviço, quando se deparou com o valor cobrado pela agência que está lhe prestando consultoria. Fernando e sua mulher vão fazer uma viagem ao Leste Europeu, em agosto, e estavam precisando providenciar dois vistos para a República Tcheca e Hungria. Se fossem fazer através da agência, gastariam, cada um, R$ 227,00. Eles resolveram recorrer à Embaixada, em Brasília, através de serviço dos Correios. Para os vistos da República Tcheca e da Hungria, foi enviado a taxa de R$ 27,00 e R$ 80,00, respectivamente, referente à solicitação, mais o valor gasto com o sedex ida/volta, o que ficou em torno de R$ 30,00, cada um. Total gasto: R$ 167,00, cada. Eles acabaram economizando R$ 60,00 do valor cobrado inicialmente. A única ressalva aberta pelo engenheiro é em relação aos prazos de liberação do visto. Em média, leva-se uma semana. BUROCRACIA - Dados pessoais, motivo da viagem, tempo de duração. Os formulários abordam basicamente isso, certo? Digamos, que a maioria sim. Em compensação, alguns se destacam pela sua peculiaridade. Na verdade, os questionamentos em alguns consulados e embaixadas chegam a beirar o absurdo, causando espanto e surpresa em vários turistas, na hora de preenchê-los. Com certeza, os Estados Unidos assumem o primeiro lugar no ranking das perguntas absurdas, tipo: "Você pretende entrar nos Estados Unidos para praticar violações do controle de exportação, atividades subversivas ou terroristas, ou com qualquer propósito ilegal?"; ou "Alguma vez ordenou, incitou, ajudou ou de qualquer forma praticou perseguição a qualquer pessoa devido a raça, religião, naturalidade, ou credo político sob a direção, direta ou indireta do Governo Nazista da Alemanha, ou de governo de qualquer área ocupada por, ou aliada com o Governo Nazista da Alemanha?". O estudante de Direito Ademilton Barbosa Filho, 21, estranhou quando estava preenchendo o seu formulário. "Achei um absurdo. A vontade que dava era responder alguma pergunta afirmativamente, só para ver o resultado, mas eu realmente queria viajar e sabia que se fizesse isso não conseguiria o visto", comenta. Segundo o consulado americano essas perguntas, apesar de estranhas, são necessárias porque forçam os futuros visitantes a não omitir nenhuma informação. Averiguações de fraudes são realizadas e quando constatada a mentira, o consulado não libera o visto, além de notificar o caso, tornando praticamente impossível a entrada dessa pessoa nos EUA, em outras tentativas. De acordo com o formulário americano, uma resposta afirmativa não significa automaticamente inegabilidade para o visto, mas recomenda-se a justificativa do ocorrido. Ter o visto de entrada carimbado no passaporte, no entanto, não é garantia total na hora de passar pela imigração no exterior. Os funcionários costumam checar todos os documentos, as reservas de hotel, a passagem de volta e se o dinheiro é suficiente para o período programado, além de, em alguns casos, fazer novos questionários e entrevistas com o visitante. |
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