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ALTERNATIVA Turismo no engenho Amaraji Um dos mais belos recantos do litoral pernambucano pode ganhar uma maneira pouco comum de exploração turística. No município de Rio Formoso, banhado pelas paradisíacas praias de Guadalupe e dos Carneiros, trabalhadores rurais sem terra querem transformar a luta agrária numa das ferramentas do turismo pernambucano. As cerca de 93 famílias de assentados do engenho Amaraji, desapropriado pelo Incra, criaram uma cooperativa para administrar 150 hectares, dentre os 1.083 que compõem o antigo latifúndio. "O turismo é sempre uma coisa marcada pela concentração de lucros na mão de um grande investidor. À população local, fica restando apenas o papel de mão-de-obra, se muito. Desta vez, agricultores sem terra podem se transformar em empresários do setor", aponta o assessor especial da prefeitura local, João Farias. Nas terras do engenho Amaraji, cada assentamento já é cultivado com o plantio de madioca e outras culturas, mas, nas terras montanhosas, por onde passa a Estrada de Penetração Sul, que dá acesso ao litoral, os trabalhadores buscam parceiros para que sejam instalados restaurantes, pousadas e hotéis. Para atrair os investidores, contam com um grande trunfo. Trata-se de uma área à beira da Praia da Pedra, de onde se avista a foz do Rio Formoso desembocar no mar, dividindo, de um lado, a Praia de Guadalupe e, do outro, a Praia dos Carneiros. "Neste lugar, nós pretendemos implementar um resort. Para isso, nos aliaríamos a um grande investidor. A cooperativa de trabalhadores cede a terra e cobra pelo seu uso, e o empreendedor a utiliza e administra. Uma espécie de parceria", diz Antônio de Lima, o Teixeira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Formoso, ele próprio um dos assentados do Amaraji. Para desenhar este quadro diferente na exploração turística do litoral, a cooperativa de agricultores conta com o apoio da Universidade Católica de Pernambuco. A entidade possui um projeto de desenvolvimento sustentável para Rio Formoso, orçado em R$ 6 milhões, que realiza também um levantamento do seu potencial turístico. Um dos pontos a ser abordado diz respeito ao trânsito náutico nos manguezais. "Muitos peixes estão desaparecendo por conta dos motores dos barcos", aponta Teixeira. O complexo onde os trabalhadores detêm a posse do antigo Engenho Arinquidá, ainda não descoberto pela indústria turística, é um dos pontos centrais do Projeto Costa Dourada. Nele está previsto o Centro Turístico de Guadalupe. Para garantir a paz que assola o lugar, alguns critérios já foram legalmente adotados. Não se pode construir nada com mais de dois pavimentos e dos terrenos litorâneos, apenas 10% são edificantes. Um dos receios de ambientalistas e profissionais ligados à questão social é de que com a presença de grandes empreendedores à frente de futuros hotéis e resorts na localidade, fossem expulsos da terra, os agricultores e pescadores que ali cresceram e que os ecossistemas locais fossem abalados com a presença de visitantes e embarcações. "Tudo que for feito aqui deve, por determinação legal, contar com um rigoroso relatório de impacto ambiental", diz Farias. |
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