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PESQUISA Carros velhos são um quarto da frota por ANA CRISTINA LIMA A frota de veículos em circulação no país é de 27,519 milhões. Pelo menos um em cada quatro tem mais de 15 anos de fabricação. Isto significa dizer que, apesar do carro novo ter se tornado acessível para a classe média baixa, nos últimos anos, o número de "velhinhos" na rua ainda é grande. O maior problema da "idade avançada" diz respeito à "saúde" do automóvel. O brasileiro não tem o hábito de realizar a manutenção preventiva e o carro só vai para a oficina quando o motor ou demais componentes essenciais anunciam o final da vida útil. Uma pesquisa solicitada pelo Instituto Nacional de Segurança no Trânsito (INST) em 1998 mostra os principais problemas dos veículos em circulação no país. Foram avaliados 2 mil veículos, sendo os leves com idade média de 8 anos e os pesados com 11 anos. No primeiro segmento, 38% dos carros apresentaram faróis em mau estado, 86% tiveram identificadas falhas na suspensão e 72% apresentaram defeitos nos freios. Os pesados tiveram desempenho semelhante: 40% tinham faróis em mau estado, 86% estavam com problemas na suspensão e 90% foram reprovados nos sistemas de freios e direção. CÓDIGO DE TRÂNSITO - A inspeção veicular, prevista no Código Brasileiro de Trânsito, promete retirar das ruas os carros em más condições de conservação mecânica e elétrica. A alegação é de que haverá um aumento de segurança no trânsito (com a queda do número de acidentes) e a redução da emissão de gases poluentes. A expectativa da indústria de reparação é de que sobre para o setor uma fatia desse bolo, já que a inspeção veicular terá de ser bancada pelos proprietários de automóveis. A vistoria deveria estar funcionando desde janeiro do ano passado, mas ainda não foi regulamentada pelo Conselho Nacional de Trânsito. Além do mais, discute-se atualmente a sua real finalidade. De acordo com dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), 90% dos acidentes são provocados por falha humana, 6% pela má conservação dos veículos e 4% pelas condições das estradas. BRASÍLIA VELHA - O único dia em que a Brasília amarela ano 78 do marceneiro Augusto Fernando da Silva tem folga é quando chove. Vaza água pelo teto e um buraco debaixo do tapete do passageiro faz jorrar a lama para dentro. Problemas com o motor? Alguns, admite o proprietário. Mas nada que a convivência de quase 17 anos não permita ele mesmo resolver. "Apesar das condições do carrinho, nunca sofri um acidente sequer", afirma o marceneiro. "Quem tem uma Brasília 78 é porque não pode comprar um carro mais novo. Encontrar peças nem sempre é fácil, além do mais, é um veículo com preço baixo e difícil de ser vendido", disse Augusto. "Esse é o único bem que possuo. Se eu tiver que me desfazer dele só porque é velho, quem vai me dar outro?". "Entidades ligadas à indústria automotiva, metalurgia, distribuidores e autopeças estão interessadas na atualização da frota circulante. Representantes desses setores discutem há cerca de três meses o programa de renovação da frota, que prevê a troca do carro com mais de 15 anos por um novo ou seminovo, de acordo com o bolso do consumidor. O proprietário do veículo teria direito a um bônus de R$ 1.800,00 para fazer a troca. "As mudanças no ministério paralisaram as negociações", revela o diretor regional da Fenabrave, Lourinaldo Fontes. Se fosse fechado um acordo com o governo nesse sentido, haveria para a indústria e metalúrgicos o benefício direto da manutenção de empregos e aumento de produção, com um incremento nas vendas em torno de 400 mil veículos/ano. "É um mercado novo mercado que podemos atingir", afirma o diretor da Fenabrave. |
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