-- - - -- - - -- - - -- - - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 06 de janeiro de 1999


RICARDO BOECHAT

Pancada dura

O calote aplicado pelos Estados não está livrando a cara de ninguém. No Rio, uma das fortes atingidas pelo beiço do ex-governador Marcello Alencar foi a Erco, empreiteira familiar comandada pela executiva Cristiana Laet, mulher de Gustavo Franco. A situação da empresa tem angustiado, compreensivelmente, o presidente do Banco Central.

Alta voltagem

Os 17 advogados da Eletrobrás que embolsaram R$ 15 milhões em honorários, por conta de uma única ação na qual atuaram para a estatal, começaram a pagar pelo conluio em que se meteram. Ontem, quatro deles foram demitidos. Agora, só faltam 13. E mais um processo por má-fé.

Curto-circuito

Está ameaçada a construção da hidrelétrica de Itá, a maior obra do setor na Região Sul. Seus sócios privados, que não investiram o previsto no empreendimento, querem que a Eletrobrás o faça, com um cheque estatal de US$ 100 milhões. A Odebrecht, aliás, quer vender sua participação no projeto.

Ar poluído

Uma comissão da Secretária de Vigilância Sanitária começou a elaborar, ontem, novos padrões para o funcionamento dos aparelhos de ar-condicionado. Em 60 dias o Ministério da Saúde baixará portaria a respeito. Vai ampliar as medidas adotadas quando da morte do ministro Sérgio Motta, vítima de doença transmitida por aqueles equipamentos.

Chama nacional

Ficou pronto o último relatório do Inpe sobre queimadas nas florestas brasileiras em 1998. No período estudado, 15 dias de agosto, o mês mais crítico, o satélite localizou 10.300 focos de incêndio em todo o país. O número dobrou em relação ao registrado no ano anterior.

O escolhido

Manoel Horácio da Silva, presidente da Vale Energia, está trocando de emprego. Vai presidir a Tele Norte Leste.

Torneira fechada

Estão suspensos os repasses de recursos japoneses para o Programa de Despoluição da Baía de Guanabara. O fundo responsável pelo dinheiro descobriu que a remessa de dezembro, de US$ 12 milhões, foi usada para cobrir buracos no caixa do Governo estadual. O desvio foi julgado grave. A fonte pode secar de vez.

Bote certeiro

A Polícia Federal confiscou ontem, no Terminal de Cargas do Galeão, 110 mil CDs piratas. A muamba, que veio da Ásia disfarçada em caixa de ferramentas, incluía apenas discos de artistas brasileiros. Foi a segunda maior apreensão do gênero em todos os tempos.

Para baixo

Pelo andar da carruagem, 1999 será um ano nefasto para o cinema nacional. As fontes de recursos oriundos dos incentivos fiscais simplesmente secaram. Quase 60% das verbas para as produções do ano passado saíram das telefônicas estaduais. Privatizadas, todas já avisaram que o mecenato acabou. O que elas querem é faturar.

Para cima

O Festival Internacional de Cinema do Porto, que começa em fevereiro, homenageará, este ano, o brasileiro Júlio Bressane. Um ciclo dedicado ao diretor começa dia 6, exibindo o mais antigo de seus filmes, "Matou a família e foi ao cinema".

Fim de festa

Tiro mortal num dos redutos mais movimentados da madrugada carioca. Hoje, o prefeito Luis Paulo Conde baixa um decreto limitando os horários de funcionamento dos bares do Baixo Gávea. De segunda a sexta, eles terão que fechar à 1h. Sábados e domingos, às 3. Logo quando o agito começa.

Encontro marcado

A dois dias da estréia do musical que lembrará os 40 anos da morte de Dolores Duran, no Centro Cultural Banco do Brasil, a produção do espetáculo localizou a única filha da artista. Adotada em 1958, ela se chama Maria Fernanda, mora em Irajá, na Zona Norte do Rio, e tem três filhos. Como convidada especial, assistirá pela primeira vez a um show dedicado à obra de sua mãe.

Olho neles

Por três domingos, a partir do dia 24, crianças que forem levadas às praias do Rio usarão pulseiras plásticas de identificação. A distribuição será feita do Leme à Barra, em 36 barracas do laboratório Smithkline. As pulseiras terão cores próprias, uma para cada posto da orla, a fim de facilitar a localização dos pimpolhos perdidos.

Nuvens estatais

O dirigível que a Goodyear exibiu nos céus do Rio no réveillon pode ser confiscado hoje. Ontem, a Prefeitura multou a empresa dona do balão em R$ 15 mil, acusando-a de fazer propaganda não autorizada em "espaço público". Se não receber o cheque hoje, manda o rapa recolher a engenhoca ao xadrez.

 
 

 

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