TRÂNSITO II
Diretor
do Denatran leva exigência do
kit ao ridículoBRASÍLIA - O
diretor-geral do Departamento
Nacional de Trânsito (Denatran),
Giddel Dantas, admitiu, ontem,
que não consegue imaginar um
acidente de trânsito em que o
kit de primeiros socorros poderia
ser utilizado para salvar as
vítimas ou curar feridas.
"Pela relação do material,
não tem como."
Giddel Dantas
diz não ter certeza se
pessoalmente exigiria a inclusão
desse item de segurança nos
veículos brasileiros. Mas o
diretor do Denatran argumenta que
recebeu o Código Nacional de
Trânsito já aprovado quando
assumiu o cargo e que, agora, tem
a função de regulamentar o
assunto.
Desde que o
Código foi aprovado no
Congresso, o Contran vem, segundo
Dantas, tentando preservar o
bolso do consumidor. Ele disse
que várias indústrias de
medicamentos vinham fazendo lobby
junto ao Governo federal para
incluir material caro no kit.
O diretor-geral
do Denatran, no entanto, disse
que não cabe a ele evitar o que
chama de verdadeiro jogo
comercial que se formou em torno
de um simples kit farmacêutico,
porque os consumidores deixaram
para adquirir o material em cima
da hora. Dantas diz que qualquer
farmácia vende os produtos do
kit por pouco mais de R$ 2 e que
o Código não fala do tipo de
embalagem em que o material tem
de ser acondicionado.
No Rio, o kit
deu partida a uma discussão
médica que está longe de ter um
ponto final: qual a utilidade
prática do material e os riscos
que pode causar nas mãos de
leigos. A diretora do Hospital
Souza Aguiar, Maria Emília
Amaral, aconselha quem se
encontrar nessa situação a,
antes de usar o kit, correr até
o telefone mais próximo para
chamar socorro médico.