PARAÍSOS FISCAIS
Chelotti
vai rastrear rota de FHC e os
"amigos"BRASÍLIA - A
viagem do diretor-geral da
Polícia Federal, Vicente
Chelotti, não deve se restringir
às Ilhas Cayman. Chelotti, que
seguiu no domingo passado para o
Caribe, poderá estendê-la às
Bahamas e Estados Unidos, onde
também haveriam indícios do
surgimento do dossiê envolvendo
uma suposta empresa que teria
como sócios o presidente
Fernando Henrique Cardoso, os
ministros da Saúde, José Serra,
e das Comunicações, Sérgio
Motta, morto em abril, e o
governador Mário Covas.
Apesar do
sigilo nas operações realizadas
nos chamados paraísos fiscais,
Chelotti viajou com a garantia
que teria acesso a alguns papéis
que confirmariam ou não a
falsificação do suposto
dossiê. No início de dezembro,
dois delegados e um agente da PF
já haviam estado em Cayman, mas
o teor das investigações não
foram revelados. Agora, o
diretor-geral da polícia
brasileira terá, ainda, auxílio
da Interpol (a polícia criminal
internacional) e o FBI, a
polícia federal americana.
Hoje, dos mais
de 50 paraísos fiscais
existentes em todo o mundo, pelo
menos 20 estão no Caribe,
Américas do Sul e Central, onde
há facilidade para operações
em dólar ou outra moeda, além
do sigilo nas informações e
transações. Segundo o pastor
Caio Fábio D'Araújo Filho,
considerado um dos principais
personagens no aparecimento do
dossiê, poucos dias antes das
eleições, a existência da
suposta conta teria sido
descoberta por um amigo, cujo
nome não revela alegando segredo
de confissão.
Até agora,
segundo fontes da PF, nenhuma das
pessoas ouvidas durante os dois
últimos meses comprovaram a
veracidade dos documentos. No
depoimento prestado à PF em
dezembro, o pastor alegou que
além dos ministros mais duas
pessoas estariam envolvidas na
suposta empresa. Mas afirmou que
não tinha provas.