- - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 06 de janeiro de 1999

ALAGOAS
Suspenso porte de armas em AL por ordem do novo governador

MACEIÓ - O secretário de Segurança Pública de Alagoas, Edmilson Miranda, anunciou ontem que o porte de armas está suspenso em todo o Estado até segunda ordem. A medida será publicada no Diário Oficial do Estado, até sexta-feira, por meio de portaria assinada pelo governador Ronaldo Lessa (PSB).

Segundo o secretário apenas os portes de armas concedidos por medidas constitucionais, estão valendo. É o caso de desembargadores, juízes, autoridades policiais e parlamentares. Os atuais portes terão de ser refeitos, o que ainda não tem data para acontecer.

Miranda afirmou que a medida tem como objetivo reduzir o índice de criminalidade em Alagoas, o quarto Estado mais violento do país, e combater o crime organizado.

O secretário disse ainda que a secretaria de Segurança Pública de Alagoas enfrenta sérios problemas estruturais prinicipalmente no interior do Estado onde várias delegacias funcionam apenas com o apoio dos prefeitos. "Com a mudança de Governo, prefeitos ligados ao ex-governador estão tomando os prédios das delegacias, como é o caso de Cajueiro, onde delegados e policiais foram desalojados", afirmou Miranda. Além das delegacias improvisadas, a polícia enfrenta problemas por falta de viaturas, armas e munição.

Em 1998, foram mil homicídios cometidos em Alagoas, contra uma média histórica dos últimos dez anos de cerca de 700 assassinatos por ano. Ronaldo Lessa elegeu o combate à violência como a prioridade dos primeiros dias de seu Governo.

SEM TERRA - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) iniciou o ano ocupando quatro fazendas em Alagoas. Anteontem, foram invadidas as fazendas Prazeres, de 1.800 hectares, em Flexeiras; Canudos, em Messias; São Pedro, em Atalaias, ambas com 800 hectares; e Manteiga, de 350 hectares, em Joaquim Gomes. Os quatro municípios ficam na região da zona da mata alagoana a uma distância média de 56 quilômetros de Maceió. Ao todo, 806 famílias participaram das quatro ocupações.

O clima é tenso nas fazendas Prazeres e Canudos, áreas reocupadas. Segundo o coordenador do MST em Alagoas, Marcos Antônio da Silva, o "Marron", seguranças armados da Usina Peixe rondaram, em três carros, as duas áreas ocupadas, dizendo que vão invadir os acampamentos. Dirigentes do MST que estão nas áreas coordenando a resistência denunciaram o fato às autoridades policiais e aguardam a solidariedade de entidades ligadas aos movimentos sociais.




   

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