MÚSICA
Springsteen
lança 57 canções inéditaspor THALES DE MENEZES
Agência Folha
"Eu vi o
futuro do rock and roll e o nome
dele é Bruce Springsteen!".
A frase acima, do ex-crítico
musical americano Jon Landau,
completa agora 25 anos. Bruce
Springsteen ainda ocupa um lugar
único no cenário. Nenhum outro
conseguiu reunir a mente de Bob
Dylan e a pélvis de Elvis
Presley. Landau é empresário de
Springsteen. Os dois, com ajuda
de mais quatro amigos, são
responsáveis pela seleção do
material incluído em Tracks
(lançamento Sony Music), caixa
com 66 canções - 57 inéditas-
em quatro CDs de gravações de
1972 a 1998.
A seis meses de
completar 50 anos, Springsteen
tem muito para mostrar ao
público roqueiro jovem. O ponto
comum das quase 500 canções
gravadas por ele é transformar
em herói o americano simples,
seja ele o caipira de Nebraska, o
operário de New Jersey ou o
bóia-fria do Novo México. Os
personagens de Springsteen não
querem mudar o mundo. Para eles,
um emprego, uma cerveja diante da
TV e uma mulher carinhosa servem
para dar sentido a suas vidas.
Springsteen faz sucesso porque
canta os sentimentos de gente que
embarcou no sonho americano e foi
devorada por ele. Sua América é
a terra de quem já apanhou
bastante e nunca entendeu a
razão de tanta surra.
Em seus dois
primeiros álbuns, Greetings From
Asbury Park, N.J. e The Wild, the
Innocent & the E Street
Shuffle, ambos de 1973, ele
seguia os passos de Dylan, dando
mais força às palavras. O folk
dos primeiros discos deu lugar a
um furioso rock and roll, que
explodiu nas paradas com Born to
Run (1975), um álbum recheado de
hinos de rebeldia e
inconformismo. Jack Kerouac,
Elvis, Dylan, Jimi Hendrix e John
Steinbeck se encontraram em
Springsteen. Pela primeira vez um
cantor foi capa das revistas Time
e Newsweek na mesma semana.
Os álbuns
seguintes, Darkness on the Edge
of Town (1978) e The River
(1980), consolidaram sua fama,
incrementada com shows que eram
maratonas de até quatro horas de
rock and roll. O disco acústico
Nebraska (1982), gravado no
porão de sua casa, era belo e
melancólico. Mas o
reconhecimento fora dos EUA veio
com Born in the USA (1984),
intrincada mistura de crítica
social e ufanismo que vendeu 15
milhões de cópias. Depois de
uma caixa com cinco LPs ao vivo,
em 1985, Springsteen fez seu
disco romântico, Tunnel of Love
(1987), todo dedicado a sua
primeira mulher.
Largado por ela
pouco depois, encontrou novo amor
em Patti Scialfa, vocalista da E
Street Band, grupo de apoio que
ele formou em 1974. Nos anos 90,
Springsteen gravou mais três
álbuns, Lucky Town e Human
Touch, lançados simultaneamente
em 1992, e The Ghost of Tom Joad
(1995). Ganhou o Oscar de melhor
canção em 1993 com Streets of
Philadelphia, a mais poderosa e
comovente música já escrita
sobre a Aids. Preparando uma
turnê mundial a partir de julho,
Bruce Springsteen volta à
estrada porque é nela que o rock
encontra a vida. Como ele
escreveu há 25 anos,
"tramps like us/ baby we're
born to run"
("vagabundos como a gente,
meu bem, nascemos para
correr").