- - - - -- - - - - - - -- - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 06 de janeiro de 1999

MÚSICA
Springsteen lança 57 canções inéditas

por THALES DE MENEZES
Agência Folha

"Eu vi o futuro do rock and roll e o nome dele é Bruce Springsteen!". A frase acima, do ex-crítico musical americano Jon Landau, completa agora 25 anos. Bruce Springsteen ainda ocupa um lugar único no cenário. Nenhum outro conseguiu reunir a mente de Bob Dylan e a pélvis de Elvis Presley. Landau é empresário de Springsteen. Os dois, com ajuda de mais quatro amigos, são responsáveis pela seleção do material incluído em Tracks (lançamento Sony Music), caixa com 66 canções - 57 inéditas- em quatro CDs de gravações de 1972 a 1998.

A seis meses de completar 50 anos, Springsteen tem muito para mostrar ao público roqueiro jovem. O ponto comum das quase 500 canções gravadas por ele é transformar em herói o americano simples, seja ele o caipira de Nebraska, o operário de New Jersey ou o bóia-fria do Novo México. Os personagens de Springsteen não querem mudar o mundo. Para eles, um emprego, uma cerveja diante da TV e uma mulher carinhosa servem para dar sentido a suas vidas. Springsteen faz sucesso porque canta os sentimentos de gente que embarcou no sonho americano e foi devorada por ele. Sua América é a terra de quem já apanhou bastante e nunca entendeu a razão de tanta surra.

Em seus dois primeiros álbuns, Greetings From Asbury Park, N.J. e The Wild, the Innocent & the E Street Shuffle, ambos de 1973, ele seguia os passos de Dylan, dando mais força às palavras. O folk dos primeiros discos deu lugar a um furioso rock and roll, que explodiu nas paradas com Born to Run (1975), um álbum recheado de hinos de rebeldia e inconformismo. Jack Kerouac, Elvis, Dylan, Jimi Hendrix e John Steinbeck se encontraram em Springsteen. Pela primeira vez um cantor foi capa das revistas Time e Newsweek na mesma semana.

Os álbuns seguintes, Darkness on the Edge of Town (1978) e The River (1980), consolidaram sua fama, incrementada com shows que eram maratonas de até quatro horas de rock and roll. O disco acústico Nebraska (1982), gravado no porão de sua casa, era belo e melancólico. Mas o reconhecimento fora dos EUA veio com Born in the USA (1984), intrincada mistura de crítica social e ufanismo que vendeu 15 milhões de cópias. Depois de uma caixa com cinco LPs ao vivo, em 1985, Springsteen fez seu disco romântico, Tunnel of Love (1987), todo dedicado a sua primeira mulher.

Largado por ela pouco depois, encontrou novo amor em Patti Scialfa, vocalista da E Street Band, grupo de apoio que ele formou em 1974. Nos anos 90, Springsteen gravou mais três álbuns, Lucky Town e Human Touch, lançados simultaneamente em 1992, e The Ghost of Tom Joad (1995). Ganhou o Oscar de melhor canção em 1993 com Streets of Philadelphia, a mais poderosa e comovente música já escrita sobre a Aids. Preparando uma turnê mundial a partir de julho, Bruce Springsteen volta à estrada porque é nela que o rock encontra a vida. Como ele escreveu há 25 anos, "tramps like us/ baby we're born to run" ("vagabundos como a gente, meu bem, nascemos para correr").


     

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