MÚSICA II
Uma
predileção por letras que falam
aos desvalidosAs 66 faixas da caixa
Tracks são sobras de estúdio,
mas ninguém pode dizer que não
trazem o melhor de Bruce
Springsteen. São frutos do
trabalho de um artista que
gostava de gravar até sete ou
oito canções num único dia. É
o testemunho de uma vida dedicada
ao rock and roll. As quatro
primeiras faixas são as mais
antigas, registradas em
gravação do dia 3 de maio de
1972, para uma demo que
Springsteen mostraria no ano
seguinte.
Junto com sete
músicas inéditas gravadas em
1973, mostram o tal "novo
Bob Dylan", o primeiro
rótulo que a imprensa deu a
Springsteen. São canções
longas, discursivas, roteiros
tirados do cotidiano. Completam o
CD número um algumas gravações
de 1974 a 1979, nas quais o
cantor já exibia a grande
característica de sua música:
transformar episódios da vida
proletária em rock vigoroso,
quase épico. Para os fãs, a
melhor é So Young and in Love,
que traz os mesmos personagens da
clássica Jungleland, faixa que
encerra o álbum Born to Run
(75).
O segundo CD da
caixa reúne gravações de 1979
a 1983. A grande maioria foi
tirada das sessões para The
River, álbum duplo de 1980. Puro
rock and roll, às vezes
totalmente retrô, incluindo um
clássico de seus shows, Where
the Bands Are. Curiosidades: as
versões alternativas de Stolen
Car (de The River) e de Born in
the USA (do álbum homônimo).
Das 18 faixas do CD número
três, 14 são das sessões de
gravação de Born in the USA, e
elas só confirmam que o álbum
deveria ter sido duplo, já que
boas canções não faltam. É,
sem dúvida, um registro da
melhor fase de Springsteen como
vocalista, com baladas de
arrepiar.
O quarto CD
mostra músicas desta década. É
a fase madura, em que Springsteen
prefere falar de amor e
companheirismo, e não de
paixões arrebatadoras. No lugar
dos jovens rebeldes dos anos 70,
seus personagens estão
quarentões, assombrados por
fantasmas como a Aids e o
desemprego. Como sempre, ele quer
ser a voz de gente acuada pela
vida. Algo que Springsteen faz
muito bem.