- - - -- - - - - - - -- - - - -- - - ---Jornal do Commercio - Recife, 06 de janeiro de 1999

ABASTECIMENTO
Compesa ampliará o racionamento

A Compesa não vai reduzir o racionamento de água na Região Metropolitana do Recife, como foi divulgado ontem. Para evitar um colapso total, a intenção é aumentar o número de dias sem água, devido ao baixíssimo nível das barragens. Para diminuir os efeitos, no entanto, a companhia está estudando uma forma de crescer a pressão nos canos para ampliar o tempo que a água permanece nas torneiras, numa tentativa de abastecer as áreas mais distantes das tubulações principais.

Em algumas áreas, a água passará mais tempo no cano nos dias de fornecimento, mas, em contrapartida, a população ficará mais dias sem recebê-la. Atualmente, o sistema é de 20h com água e 72h sem, no Recife, e 24h com água e 76h sem, na Zona Norte da RMR. O presidente da Compesa, Gustavo Sampaio, espera divulgar até sexta-feira a mudança no esquema de racionamento, mas não pode adiantar como vai funcionar, pois isso depende da finalização de estudos. A princípio, a modificação pode acontecer apenas na Zona Norte, onde a situação é mais crítica.

Sampaio lembra que a reengenharia de manobra para aumentar a pressão nos tubos é apenas uma tentativa de garantir a chegada da água em residências onde o abastecimento dura menos que o tempo previsto (20 horas no Recife e 24 horas em Olinda).

"Para que o aumento da pressão beneficie as pessoas que hoje não recebem água, será necessária a colaboração dos que já são atendidos. Se eles aumentarem o consumo, aproveitando o maior tempo de permanência da água nas torneiras, as residências distantes da tubulação continuarão desabastecidas."

O presidente da Compesa alerta que o aumento do racionamento é imprescindível para tentar garantir o abastecimento, mesmo de forma precária, até que ocorram as chuvas previstas para março e abril. "Não podemos operar milagres. Encontramos os principais mananciais em níveis críticos. A Barragem de Tapacurá, responsável pelo abastecimento de grande parte da Região Metropolitana do Recife, só está no momento com 10% de sua capacidade e Botafogo, com 8%."

Segundo Gustavo Sampaio, a mudança que se pretende implantar vinha sendo estudada pela companhia, desde dezembro. "Já deveria ter sido adotada há mais tempo", considera. O presidente da Compesa diz que outras decisões já foram tomadas para amenizar a crise de abastecimento d'água. "Autorizamos a instalação de oito poços já perfurados e a perfuração de mais seis, todos em Olinda", informou Gustavo Sampaio.


     

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