- - - -- - - - - - - -- - - - -- - - ---Jornal do Commercio - Recife, 06 de janeiro de 1999

ACIDENTE
Pista do aeroporto é, enfim, liberada

Três dias após ter pousado de barriga na pista principal do Aeroporto Internacional dos Guararapes, provocando enorme tumulto no tráfego aéreo nacional e internacional, é que o avião-cargueiro modelo Antonov 22, da empresa ucraniana Air Foyle, foi removido. A retirada da aeronave se deu por volta do meio-dia de ontem, mas a liberação da pista para pouso e decolagem de aviões de grande porte só aconteceu após as 14 horas, quando os passageiros que superlotavam o saguão do aeroporto se queixavam de já ter esgotado, há muito, os limites de paciência.

A operação de remoção do avião começou segunda-feira, mas acabou esbarrando numa série de empecilhos. O primeiro foi a chegada, com atraso de 51 minutos, do equipamento (colchões infláveis e um macaco especial) vindo do Rio de Janeiro. O equipamento, inclusive, por sorte não estava sendo usado em nenhum outro aeroporto, pois é o único para atender a toda a América Latina.

Os problemas na operação tiveram continuidade com a incompatibilidade do avião - que data de 1950 e tem características da indústria oriental - com o moderno e ocidentalizado equipamento usado para sua remoção. Ou seja, nada se enquadrava como planejado e tudo foi feito na base do improviso.

O macaco, segundo as informações, não alcançava a asa direita da aeronave, tendo sido improvisadas toras de madeira de 1,5 metro para o ajuste da engrenagem que, com a propulsão, partiu o encaixe. Foi dado um jeito, mas surgiu outro problema na retirada do trem de pouso.

CORROSÃO - Os técnicos, então, resolveram trocar a carga de nitrogênio dos amortecedores, quando, desta vez, foi o bocal que quebrou e uma nova solução foi improvisada. Finalmente, houve outra surpresa, com o elemento químico corroendo parte da pista, mas esta acabou sendo restaurada e, ao meio-dia, o avião foi puxado para os hangares da Base Aérea, onde ficou aguardando a chegada de peças de reposição.

O superintendente da Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero), Sílvio Barreto Viana, classificou o problema como "um furacão que passou pelo Brasil". Ele respondeu às críticas dos passageiros dizendo que poucos aeroportos do mundo têm duas pistas principais.


     

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