ACIDENTE
Pista
do aeroporto é, enfim, liberadaTrês dias após ter
pousado de barriga na pista
principal do Aeroporto
Internacional dos Guararapes,
provocando enorme tumulto no
tráfego aéreo nacional e
internacional, é que o
avião-cargueiro modelo Antonov
22, da empresa ucraniana Air
Foyle, foi removido. A retirada
da aeronave se deu por volta do
meio-dia de ontem, mas a
liberação da pista para pouso e
decolagem de aviões de grande
porte só aconteceu após as 14
horas, quando os passageiros que
superlotavam o saguão do
aeroporto se queixavam de já ter
esgotado, há muito, os limites
de paciência.
A operação de
remoção do avião começou
segunda-feira, mas acabou
esbarrando numa série de
empecilhos. O primeiro foi a
chegada, com atraso de 51
minutos, do equipamento
(colchões infláveis e um macaco
especial) vindo do Rio de
Janeiro. O equipamento,
inclusive, por sorte não estava
sendo usado em nenhum outro
aeroporto, pois é o único para
atender a toda a América Latina.
Os problemas na
operação tiveram continuidade
com a incompatibilidade do avião
- que data de 1950 e tem
características da indústria
oriental - com o moderno e
ocidentalizado equipamento usado
para sua remoção. Ou seja, nada
se enquadrava como planejado e
tudo foi feito na base do
improviso.
O macaco,
segundo as informações, não
alcançava a asa direita da
aeronave, tendo sido improvisadas
toras de madeira de 1,5 metro
para o ajuste da engrenagem que,
com a propulsão, partiu o
encaixe. Foi dado um jeito, mas
surgiu outro problema na retirada
do trem de pouso.
CORROSÃO -
Os técnicos, então, resolveram
trocar a carga de nitrogênio dos
amortecedores, quando, desta vez,
foi o bocal que quebrou e uma
nova solução foi improvisada.
Finalmente, houve outra surpresa,
com o elemento químico corroendo
parte da pista, mas esta acabou
sendo restaurada e, ao meio-dia,
o avião foi puxado para os
hangares da Base Aérea, onde
ficou aguardando a chegada de
peças de reposição.
O
superintendente da Empresa
Brasileira de Infra-estrutura
Aeroportuária (Infraero),
Sílvio Barreto Viana,
classificou o problema como
"um furacão que passou pelo
Brasil". Ele respondeu às
críticas dos passageiros dizendo
que poucos aeroportos do mundo
têm duas pistas principais.