ACIDENTE II
Guararapes
viveu outro dia de tumultoO tumulto no Aeroporto
dos Guararapes, ontem, foi
intenso, mesmo após a
liberação da pista. As
reclamações continuavam porque
muita gente ainda permanecia sem
previsão de embarque.
Passageiros que iam viajar num
vôo da Tap-Air Portugal para
Lisboa e Londres, ficaram
irritados com o cancelamento do
mesmo. Houve muitas queixas de
falta de funcionários da empresa
para dar informações. Nos
guichês das demais companhias
aéreas, a situação era
idêntica.
Qualquer
informação extra era motivo de
corre-corre. Um grupo de cerca de
70 pessoas que esperava no
guichê da Transbrasil, a fim de
embarcar para São Paulo, chamou
a atenção. Todos saíram
correndo freneticamente depois de
ouvirem um aviso de que um
ônibus os aguardava do lado de
fora para levá-los até Natal,
onde apanhariam outra aeronave.
Já na fila
perto do ônibus, a indignação
era total. "Isso é uma
falta de respeito. Reservamos as
passagens com antecedência e
estamos passando por esse
vexame", reclamava Rogério
Varollo, de São Paulo.
"Estamos aqui desde 3 horas
da madrugada", emendava a
mulher dele, Suzy Varollo.
Igualmente
irritado, o médico Alexandre
Aragão Gomes estava juntando
provas para processar a Varig.
"Recebi o pior tratamento
possível aqui, onde estou há
três dias sem poder embarcar, e
um funcionário ainda ficou rindo
da nossa situação", disse,
aguardando com angústia ser
colocado num vôo da Rio Sul para
São Paulo.
Já a inglesa
Justine Ajao afirmou que nunca
mais vai viajar pela Tap-Air
Portugal. Ela precisava estar em
Londres ainda ontem e não havia
sequer um funcionário da empresa
para dar uma satisfação.
"Fiquei por 4 horas para
confirmar o vôo e não tem
ninguém aqui agora", dizia,
chateada.
Por todo lado,
só se ouvia gente reclamando,
inclusive, de haver só uma
grande pista no aeroporto. Até
mesmo os engenheiros de bordo
angolanos de outro avião russo,
o Ilyshin IL-76, que estava
impossibilitado de decolar devido
ao problema na pista, e que não
quiseram muito diálogo com a
imprensa, acharam que um
aeroporto internacional deveria
ter mais opções para pousos e
decolagens. "Uma pista só
é uma piada, meu irmão",
diziam os irmãos paulistas Jean,
Paulo e João Russio".