- - - -- - - - - - - -- - - - -- - - ---Jornal do Commercio - Recife, 06 de janeiro de 1999

ACIDENTE II
Guararapes viveu outro dia de tumulto

O tumulto no Aeroporto dos Guararapes, ontem, foi intenso, mesmo após a liberação da pista. As reclamações continuavam porque muita gente ainda permanecia sem previsão de embarque. Passageiros que iam viajar num vôo da Tap-Air Portugal para Lisboa e Londres, ficaram irritados com o cancelamento do mesmo. Houve muitas queixas de falta de funcionários da empresa para dar informações. Nos guichês das demais companhias aéreas, a situação era idêntica.

Qualquer informação extra era motivo de corre-corre. Um grupo de cerca de 70 pessoas que esperava no guichê da Transbrasil, a fim de embarcar para São Paulo, chamou a atenção. Todos saíram correndo freneticamente depois de ouvirem um aviso de que um ônibus os aguardava do lado de fora para levá-los até Natal, onde apanhariam outra aeronave.

Já na fila perto do ônibus, a indignação era total. "Isso é uma falta de respeito. Reservamos as passagens com antecedência e estamos passando por esse vexame", reclamava Rogério Varollo, de São Paulo. "Estamos aqui desde 3 horas da madrugada", emendava a mulher dele, Suzy Varollo.

Igualmente irritado, o médico Alexandre Aragão Gomes estava juntando provas para processar a Varig. "Recebi o pior tratamento possível aqui, onde estou há três dias sem poder embarcar, e um funcionário ainda ficou rindo da nossa situação", disse, aguardando com angústia ser colocado num vôo da Rio Sul para São Paulo.

Já a inglesa Justine Ajao afirmou que nunca mais vai viajar pela Tap-Air Portugal. Ela precisava estar em Londres ainda ontem e não havia sequer um funcionário da empresa para dar uma satisfação. "Fiquei por 4 horas para confirmar o vôo e não tem ninguém aqui agora", dizia, chateada.

Por todo lado, só se ouvia gente reclamando, inclusive, de haver só uma grande pista no aeroporto. Até mesmo os engenheiros de bordo angolanos de outro avião russo, o Ilyshin IL-76, que estava impossibilitado de decolar devido ao problema na pista, e que não quiseram muito diálogo com a imprensa, acharam que um aeroporto internacional deveria ter mais opções para pousos e decolagens. "Uma pista só é uma piada, meu irmão", diziam os irmãos paulistas Jean, Paulo e João Russio".


     

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