CARNAVAL
Blocos
de rua ameaçam não desfilarRepresentantes de
diversas agremiações
carnavalescas do Recife
reuniram-se, ontem, na Casa do
Carnaval, no Pátio de São
Pedro, para discutir a situação
atual dos tradicionais blocos de
rua da cidade. Sem dinheiro e
incentivo dos órgãos públicos,
muitos deles ameaçam não
desfilar este ano. A Federação
Carnavalesca do Recife alega que
a reunião é uma maneira de se
conseguir recursos para os
blocos.
"Todas as
agremiações estão em
dificuldade", garante o
presidente do Bloco Carnavalesco
Misto Banhistas do Pina,
Lindivaldo Oliveira Leite, o
Vavá. Segundo ele, o maior
problema do Carnaval de rua do
Recife é a falta de divulgação
e incentivos. No último
Carnaval, os Banhistas do Pina
também estiveram em situação
parecida. Fundada em 1932, a
direção da agremiação afirma
que nunca precisou de ajuda
financeira da prefeitura para
desfilar. "Conseguimos o
dinheiro através de festas
promovidas na nossa sede".
Desanimados com
a crise financeira, os
organizadores do Batutas de São
José são os mais pessimistas.
"Não vamos desfilar no
próximo Carnaval", afirma a
diretora artística da
agremiação, Nadira Maria da
Silva. O bloco, que foi fundado
no mesmo ano dos Banhistas do
Pina, já chegou a ter cerca de
400 integrantes. "Hoje só
estamos com a metade". De
acordo com Nadira, se não houver
incentivo das autoridades, a
tendência do Carnaval de rua do
Recife é acabar. "O bloco
só saiu o ano passado porque eu
tirei todo o dinheiro da minha
poupança".
O diretor da
Casa do Carnaval, Marcelo Varela,
diz um dos objetivos da reunião
é criar uma espécie de conselho
para os carnavalescos.
"Precisa existir união para
que todos os blocos tenham
condições de desfilar",
afirma. Hoje à tarde, o
presidente da Federação
Carnavalesca, Manoel Mendes, deve
se reunir com representantes da
Prefeitura do Recife para definir
a situação das agremiações de
rua.