NUTRIÇÃO
Frutas
combatem problemas do coração e
controlam colesterolpor FLÁVIO MORAES
Especial para o JC
Uma boa
notícia para quem tem quintal em
casa com árvores que dão frutos
como sapoti, pinha, manga e
acerola: essas frutas combatem
problemas cardiovasculares,
controlam o colesterol e evitam
complicações intestinais, como
a prisão de ventre. Pesquisa
realizada no Departamento de
Nutrição da Universidade
Federal de Pernambuco (UFPE)
avaliou o valor alimentício dos
componentes de frutas tropicais.
Realizada pela
aluna Adriana Vasconcelos e pela
professora Nonete Barbosa Guerra,
a pesquisa "Constituintes da
Fibra Alimentar em Frutos
Tropicais in natura e
Derivados" analisou a
qualidade das fibras dietéticas,
que são nutrientes de origem
vegetal importantes para a
formação das fezes e para a
manutenção das taxas de glicose
e colesterol.
A fibra
dietética compreende duas
frações, uma insolúvel e outra
solúvel. A fração solúvel é
recomendada para os casos de
diabetes e hipercolesterolemia -
doença provocada pela
concentração de colesterol no
sangue. O objetivo da pesquisa
foi detectar a quantidade dessas
frações nas frutas estudadas.
Para colher
informações detalhadas sobre os
componentes solúveis e
insolúveis das fibras
dietéticas, as pesquisadoras
analisaram, em laboratório,
frutas como sapoti, pinha, manga,
acerola, uva-roxa e morango. As
duas últimas não são
consideradas tropicais, mas foram
incluídas na pesquisa por
estarem sendo cultivadas em
grande escala em cidades como
Gravatá e Petrolina.
A pesquisa
determinou a quantidade total de
fibras alimentares e o percentual
das frações solúveis e
insolúveis. "Nosso objetivo
com estas informações é
contribuir para a formação da
Tabela Brasileira de Composição
Química de Alimentos",
explica Adriana Vasconcelos.
Segundo ela, estudos indicam que
uma pessoa normal deve ingerir de
20 a 30 gramas de fibras
diariamente. Esta tabela também
está sendo elaborada por outras
universidades do país para a
formação de um documento único
que será usado por
nutricionistas e outros
profissionais da área, como
biólogos, para definir dietas
alimentares.
Os resultados
da pesquisa revelaram que a
fração insolúvel das fibras
alimentares é maior que a
fração solúvel, e algumas
frutas, quando consumidas in
natura, possuem quantidades
maiores de fibras em relação a
outras, como a goiaba, que
apresenta o maior percentual
(11,42%) e o morango, com menor
incidência (2,11%). Quando
transformadas em doces, a
qualidade das fibras diminui. A
goiabada cascão, por exemplo,
tem o potencial reduzido (4,45%),
o que levou à conclusão de que
as frutas são mais saudáveis
quando ingeridas in natura.
"Mas isso não quer dizer
que os doces sejam prejudiciais
ou devam deixar de ser
consumidos", esclarece
Nonete.