CONTAS PÚBLICAS
O
que Jarbas pode fazer para sanear
as contas do Estado?Para enfrentar um
déficit orçamentário superior
a R$ 300 milhões e uma dívida
financeira imediata com o
funcionalismo e fornecedores de
R$ 225 milhões, o governador
Jarbas Vasconcelos está
analisando pelo menos quatro
alternativas para levantar
recursos, além de contar com as
limitadas receitas correntes.
Entre as alternativas, as que
apresentam maior viabilidade são
a obtenção de empréstimos
junto a bancos federais, a
título de Antecipação de
Receitas Orçamentárias (ARO), a
liberação de recursos retidos
pela União e a antecipação
pela venda de ativos do Estado,
como a privatização da
Companhia Energética de
Pernambuco (Celpe).
A antecipação
dos recursos da privatização da
Celpe é a saída que apresenta
maior possibilidade de sucesso.
Ontem o Estado retomou o processo
de privatização e a
antecipação de receitas da
privatização, antes descartada
pelo governador Jarbas
Vasconcelos voltou a ser vista
como uma possibilidade a ser
estudada. Além do valor elevado
dos recursos a serem levantados,
já que a operação pode chegar
a R$ 700 milhões, o custo
operacional é um dos mais baixos
entre as atuais opções do
Estado.
O mesmo não se
deve esperar se a opção for
pela Antecipação de Receitas
Orçamentárias (ARO). Pernambuco
está autorizado a contrair
empréstimos de até R$ 810
milhões para serem quitados com
receitas futuras. A operação é
interessante para rede bancária,
pois além das taxas de juros de
mercado também é cobrada a Taxa
Básica Financeira (TBF). No
Banco do Brasil o custo desse
tipo de empréstimo sai
atualmente por 4,74% ao mês.
FUNDEF -
Até agora, a única medida
efetivamente encaminhada pelo
Governo do Estado foi a
solicitação da compensação
das perdas geradas pelo Fundo de
Desenvolvimento do Ensino
Fundamental e Valorização do
Magistério (Fundef). Das
alternativas para obtenção de
recursos, esta é que apresenta
menores valores (R$ 59 milhões)
frente a um rombo superior aos R$
300 milhões. Em compensação,
esses recursos apresentam custos
baixos se comparados com as
demais operações de crédito do
mercado financeiro.
Outros recursos
que devem ser resgatados pelo
Governo do Estado são os
relativos aos depósitos do FGTS
em nome dos funcionários
públicos não-optantes. De
acordo com com os cálculos
iniciais realizados pela
Secretaria da Administração,
Pernambuco teria disponível
cerca de R$ 200 milhões. O
principal inconveniente dessa
opção é a demora na
liberação. Antes de liberar
esses recursos, a Delegacia
Regional do Trabalho tem que
fazer um levantamento dos
depósitos realizados pelo
governo estadual nos últimos dez
anos, além de verificar na
Justiça se há ações
trabalhistas movidas contra o
Estado.
Outra
possibilidade, que estaria
diretamente ligada à redução
da dívida do Estado é a venda
da carteira imobiliária da
Cooperativa Habitacional de
Pernambuco (Cohab), estimada em
aproximadamente R$ 180 milhões.
Com esta operação Pernambuco
deixaria a lista de inadimplentes
do Tesouro Nacional e
desembolsaria R$ 10 milhões a
menos por mês. Para diminuir o
desembolso mensal do serviço da
dívida - que sem a taxa de
inadimplência está em R$ 23
milhões - seria necessário
renegociar o perfil da dívida do
Estado.
RECEITA
PRÓPRIA - A situação
econômica do Estado fica ainda
mais complicada se forem
considerados os recursos
próprios que devem entrar nos
cofres estaduais este mês. A
arrecadação do ICMS, relativa
à circulação de mercadorias do
mês de dezembro, será dividida
em dois parcelas que serão pagas
em janeiro e fevereiro. Essa
divisão diminui a receita
tributária do Estado, que em
média tem-se mantido próxima
aos R$ 140 milhões por mês.