CONTAS PÚBLICAS II
Gondim:
alíquota variável é
inconstitucionalO presidente da
Associação dos Magistrados de
Pernambuco (Amepe), desembargador
Gilberto Gondim, afirmou, ontem,
que é inconstitucional o aumento
de 2 a 8% na contribuição
previdenciária dos servidores
estaduais, anunciado pelo
governador Jarbas Vasconcelos.
Ele explicou que já existe uma
decisão no Supremo Tribunal
Federal (STF) defendendo a
incostitucionalidade da cobrança
de alíquotas diferenciadas, de
acordo com os vencimentos dos
servidores. A contribuição
extra será destinada ao Fundo de
Aposentadorias e Pensões do
Estado de Pernambuco, o Funape, a
ser criado pelo novo governo.
O desembargador
esclareceu que, segundo
entendimento do STJ, o
recolhimento de valores
escalonados na contribuição
previdenciária é proibido
porque todos os servidores
receberão os mesmos serviços,
embora paguem alíquotas
diferenciadas. De acordo com a
reforma administrativa
apresentada pelo governo, será
cobrado mais 2% do servidores que
recebem entre R$ 200 e R$ 1.200.
Nos salários acima desse valor,
a alíquota adicional será de
8%. Os funcionários inativos
também passarão a contribuir
com o fundo previdenciário.
Preocupado com
as repercussões das medidas
anunciadas, Gilberto Gondim disse
que, no Brasil, todos os dias
são tomadas medidas que
desrespeitam a Constituição e,
em Pernambuco, a situação não
tem sido diferente. "As
notícias do jornal me deixaram
profundamente alarmado.
Compreendo que existe, no Estado,
uma série de situações de
difícil gerenciamento, mas é
inaadmissível que as
deficiências de caixa sejam
supridas à custa dos
assalariados".
Ele justificou
que não há sentido em criar
outro fundo para fazer o trabalho
que deveria ser do Instituto de
Previdência dos Servidores do
Estado de Pernambuco (Ipsep), mas
que a instituição não consegue
realizar a contento. "O
Ipsep ou é mal gerenciado ou
suas finanças estão
comprometidas com alguma coisa
pois, apesar das contribuições
serem recolhidas todo mês, o
instituto presta uma assistência
de péssimo nível. O que não
podemos aceitar, no entanto, é
que os servidores paguem pelos
erros de gerenciamento das
autoridades", defendeu.