ESCOLAS
Pais
de alunos só irão para o SPC em
fevereiroOs pais inadimplentes
podem ficar tranqüilos porque
seus nomes ainda não chegaram à
lista do Serviço de Proteção
ao Crédito (SPC). De acordo com
o presidente da Câmara de
Dirigentes Lojistas (CDL),
Eduardo Catão, as escolas
filiadas à entidade só devem
começar a remeter os nomes a
partir de fevereiro, quando
terminam as matrículas
referentes ao atual ano letivo e
começam as aulas. O acordo foi
assinado entre o Sindicato dos
Estabelecimentos de Ensino
Particular e a CDL, depois de
dois anos de negociação. Mas, o
diretor geral da Procuradoria de
Defesa do Consumidor (Procon),
Adalberto Arruda, acha que
existem outras formas de
cobrança.
Mesmo ainda
desconhecendo as normas que regem
o acordo da CDL ele diz que,
além das negocições
amigáveis, a Justiça existe
para esses casos. "Entendo
que as dívidas são muitas e que
as escolas precisam recebê-las.
Mesmo assim, quem decide que
procedimentos tomar são os
diretores", disse. Arruda
faz um apelo a direção das
escolas para que não encaminhem
os nomes ao SPC, mas procurem
negociar. O Sindicato dos
Estabelecimentos de Ensino
calcula que o índice de
inadimplência nas escolas de
Pernambuco varia entre 10% e 30%,
e isso acarreta sérios
prejuízos.
O diretor do
Procon acredita que a educação
é um direito social, apesar de
ser concedido também pelo setor
privado. Por isso, ele considera
que a negociação é o melhor
caminho. A Medida Provisória
1477/97 estabelece proteções
especiais para pais e alunos, mas
não proíbe a inclusão de pais
ou responsáveis na lista do SPC.
Arruda acrescenta ainda que o
artigo 42, do Código de Defesa
do Consumidor estabelece que na
cobrança de débito, o
consumidor não poderá ser
exposto ao ridículo ou a
qualquer constrangimento.
CONTRA -
O presidente da Associação de
Pais e Alunos de Pernambuco
(Aspepe), Joaquim Ferreira, é
contra o procedimento adotado
pelas escolas e diz que vai lutar
até o fim para que o acordo seja
anulado. Ele informa que já
está consultando a Secretaria de
Direito Econômico do Ministério
da Justiça, em Brasília, para
impedir o processo. Em seguida, a
Aspepe deve reunir os pais de
alunos para chegar a uma
decisão.
A procura das
escolas para filiarem-se ao CDL
tem aumentando consideravelmente,
segundo Eduardo Catão. Ele
considera que o número de
filiadas deve crescer o que pode
acarretar num valor grande de
pais negativados.