IMPOSTOS II
Metalúgicos
protestam trabalhandoSÃO PAULO - Os
2,8 mil metalúrgicos demitidos
da Ford e os 3 mil que permanecem
empregados na fábrica de São
Bernardo do Campo voltaram a
trabalhar ontem, ignorando o
comunicado de desligamento de 41%
do efetivo. Mas a montadora
também criou uma estratégia
para enfrentar o movimento, não
oferecendo resistência para a
entrada dos demitidos, para que
não ficasse configurada uma
ocupação forçada da fábrica.
A montadora também,
indiretamente, não permitiu que
ninguém trabalhasse.
Os
metalúrgicos estavam
determinados a produzir, depois
da ocupação, para mostrar à
opinião pública que não
reconhecem as demissões.
Contudo, eles encontraram
empilhadeiras sem gás, máquinas
sem alimentação elétrica ou
hidráulica e tanques de tinta
vazios. Ao meio-dia, os demitidos
e empregados da manufatura foram
dispensados - o turno normalmente
termina às 17 horas. A Ford
considerou o dia como sendo de
licença remunerada. Não houve
produção.
A fábrica
começou a ser desocupada por
volta de 12h30. Depois que a
empresa anunciou que pagaria o
salário de ontem em forma de
licença remunerada, o movimento
foi esvaziado. Sindicalistas
fizeram uma assembléia e
prometeram que hoje a tática
será mudada.
O presidente
nacional da Central Única dos
Trabalhadores (CUT), Vicente
Paulo da Silva, previu uma luta
longa e afirmou que ninguém ali
deveria se iludir em relação à
possibilidade de conseguir se
recolocar no mercado. "Lá
fora não existe emprego",
disse.
A direção da
Ford não vai voltar atrás na
decisão de demitir, segundo o
diretor de recursos humanos
Carlos Augusto Marino. Ele falou
que hoje a montadora conversará
com o sindicato para buscar uma
forma de retomar o trabalho.
"Mas não podemos produzir
um volume de carros que o mercado
não vai comprar; por isso não
há como negociar a volta dos
demitidos", explicou. Foi a
primeira vez na história do
sindicalismo brasileiro que
empregados decidiram protestar
trabalhando.