- - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 06 de janeiro de 1999

IMPOSTOS III
Medida não vai afetar o consumidor de imediato

O consumidor pernambucano ainda vai esperar um pouco para sentir o efeito do reajuste do ICMS e do IPI nos preços dos carros. As concessionárias locais estão com estoque suficiente para as vendas no mês janeiro e os novos valores só deverão ser repassados com chegada da nova frota. Mesmo assim, os proprietários garantem que o aumento não deve pesar no orçamento de quem estava com planos de comprar carro novo. Isso porque as promoções serão prorrogadas e os juros ficarão ainda mais baixos do que em dezembro do ano passado, quando o varejo voltou a reaquecer as vendas.

O diretor comercial da Reasa, Clodoaldo Oliveira, acredita que a Secretaria da Fazenda deverá anular a medida de aumento do ICMS porque ela acarretaria prejuízos para o setor e para o Estado. Já o reajuste de preço com o aumento do IPI, segundo ele, não deverá afetar as vendas. "Para compensar o aumento, as taxas de juros irão cair e a fábrica já está incluindo na linha 99 itens como kit de primeiros socorros e cinto de segurança de três pontos, exigidos pelo novo código de trânsito", avalia. Para ele, isso compensa o reajuste do preço porque o dono do veículo teria que comprá-los e isso representaria gastos maiores. Segundo ele, há ainda alguns modelos que não sofrerão reajuste.

A Caxangá Veículos só repassará o aumento do IPI com a chegada do novo estoque. "Isso dependerá do consumidor. Se o estoque acabar rápido, o aumento chegará logo. Mas isso só deve acontecer em fevereiro", diz o diretor da concessionária, Silvio Luggi, que também acredita na anulação do aumento do ICMS.

Já o diretor da Alvesa, Wanderley de Carvalho, acha que o aumento do IPI deve afetar o comerciante, que perderá vendas, e o consumidor, que não terá condições de comprar. Ele ainda não recebeu a tabela com os novos preços da fábrica, mas adianta que demorará a repassar o reajuste para o cliente porque isso só acontecerá no novo estoque. "As montadoras estão abarrotadas de veículos. São mais de 180 mil. Mesmo com as boas vendas de dezembro, a tendência agora é de retração novamente", acredita Carvalho.




   

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