Atrações
turísticasDesde a extinção do
Contur (Conselho de Turismo de
Pernambuco), no segundo Governo
Arraes, o apoio estatal ao setor
só não mergulhou na absoluta
improvisação porque a Empetur
manteve nos seus quadros alguns
técnicos competentes e
motivados. Foi graças a isso que
a nova Secretaria de
Desenvolvimento Econômico e
Turismo pôde realizar algumas
ações positivas, quase sempre
com base em projetos iniciados
anteriormente. Entre elas, deve
ser incluída a conclusão de um
Inventário dos Municípios de
Interesse Turístico de
Pernambuco, hoje à disposição
da nova equipe governamental que
agora assume.
O Inventário
resultou num volume de quase duas
mil páginas, com riqueza de
dados e fotos sobre cada atrativo
dos municípios selecionados, o
que exigiu a colaboração de
geógrafos, fotógrafos e
especialistas em turismo. Os
critérios de seleção foram,
segundo está explicado na parte
inicial do trabalho, os mesmos
adotados pela Organização
Internacional do Trabalho - OIT.
Já havia sido
publicado, em 1986, pela Sudene -
com uma modéstia gráfica talvez
exagerada - um texto contido, mas
muito abrangente do ponto de
vista espacial, sobre o mesmo
assunto: a Geografia Turística
do Nordeste, de José Carlos
Regueira da Silva e Waldja
Correia de Araújo, em que todos
os estados da Região foram
parcialmente inventariados. Em
Pernambuco, mereceram destaque o
Recife e, seguindo ordem
alfabética, os seguintes
municípios: Brejo da Madre de
Deus, Cabo de Santo Agostinho,
Camocim de São Félix, Carpina,
Caruaru, Garanhuns, Goiana,
Gravatá, Igarassu, Ipojuca,
Itamaracá, Itapissuma, Jaboatão
dos Guararapes, Olinda, Paulista,
Petrolina, Rio Formoso, São
José da Coroa Grande,
Sirinhaém, Sítio dos Moreiras,
Taquaritinga, Tracunhaém e
Triunfo. Trazendo um resumo
histórico sobre as atrações
principais existentes, faltou a
esse estudo um mínimo de
atrativo gráfico que o fizesse
ser requisitado pelas empresas
interessadas em turismo, aqui
como nas outras partes do
Nordeste. Os custos foram
mínimos e a tiragem pequena.
O Inventário
mais recente custou oficialmente
R$ 1,2 milhão e é de esperar
que não tenha o mesmo destino do
outro: apenas as estantes de
alguns estudiosos locais.
Precisa, sim, funcionar como uma
base informativa, um banco de
dados a ser permanentemente
atualizado, o que não exige a
criação de novas estruturas
administrativas ou contratação
de pessoal especializado, mas
apenas um contacto permanente com
as próprias prefeituras, que
devem ter o maior interesse em
atualizar as informações de um
documento que sirva para atrair
turistas nacionais e
internacionais.
Afora os
monumentos de tijolo e cal, as
cachoeiras e pedras com
inscrições antigas, muitas
cidades têm a mostrar seu
artesanato, suas danças, suas
festas, seu folclore. Algumas já
fazem das comemorações de São
João um atrativo para
visitantes, outras redescobriram
as vaquejadas, os duelos
poéticos entre violeiros e
repentistas, a ciranda, o
maracatu rural. Ou a fabricação
de rendas, de doces ou de redes
de dormir. É auspicioso saber
que algumas começam a se
orgulhar daquilo que antes certas
elites procuravam esconder para
não parecerem
"antiquadas", ou
tradicionalistas, tendo aprendido
finalmente que na singularidade
está uma fonte de riquezas. Não
somente a produção de morangos,
como em Gravatá, ou de uvas no
sertão do São Francisco, mas
também a de bananas em São
Vicente Férrer atraem turistas,
quando são realizados festivais
com boa organização e melhor
divulgação.
O Inventário
dos Municípios de Interesse
Turístico de Pernambuco
contempla todas as microrregiões
do Estado e também está
disponível em CD-Rom. O novo
titular de Desenvolvimento
Econômico e Turismo inicia sua
administração contando uma base
informativa para um trabalho
planejado. Só é necessário que
o mantenha atualizado, durante
todo o período em que estiver à
frente daquela Secretaria.