- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 06 de janeiro de 1999

SEGURANÇA
Começa contagem regressiva para o Bug

por HERCÍLIA GALINDO
hercilia@jc.com.br

Contagem regressiva para a chegada do Bug do Milênio... O ano que se inicia vai dar muito trabalho aos programadores empenhados em adaptar os sistemas até o ano 2000. Não dá mais para adiar. Quem deixou para a última hora tem que correr contra o relógio e, mesmo com o período de recessão aguardado para o último ano do século XX, investir pesado contra o vilão virtual. O Brasil, segundo estudos da consultoria Boucinhas & Campos, está cerca de um ano atrasado no tratamento das adequações em relação aos países mais avançados, como os Estados Unidos.

Alguns empresários ou ainda não acordaram para a relevância do bug e esperam por programas que realizem a conversão dos sistemas milagrosamente ou estão despertando para o problema de última hora. A dificuldade é que, em um mundo globalizado, onde todos interagem, as empresas que não resolverem falha poderão afetar as que se resguardaram a tempo. Em Pernambuco, se tudo ocorrer como anunciado, o impacto do bug será irrelevante nos principais setores empresariais.

O setor elétrico pernambucano respira aliviado. A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), responsável pela produção, transporte e comercialização de energia elétrica para 38 milhões de usuários no Nordeste, deve extinguir o defeito antes da data fatídica. A companhia já fez um levantamento de todos os programas e linhas de código que precisam ser modificados em 16 usinas e 74 subestações de energia. "Até julho, todos os trabalhos preventivos estarão concluídos", tranqüiliza Antônio Carlos de Souza, superintendente de Tecnologia da Informação da Chesf.

A Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), que distribui a energia elétrica para o consumidor final, também trabalha contra o bug para que ninguém comemore o último revèillon do século à luz de velas. Desde o segundo semestre de 1997, a empresa está estudando soluções, convertendo, substituindo e atualizando todos os programas suscetíveis ao Bug.

Os bancos também prometem a atualização antes do ano 2000, afinal o Banco Central estipulou 31 de dezembro passado como a data limite para a correção das falhas. Quem não fez isso, pagará multas altíssimas. Segundo Roberto Fatorelli, coordenador do Comitê BCB 2.000, criado em 92, equipes especializadas do Banco Central estão comparecendo às 2.035 instituições financeiras e mais de 16.500 agências bancárias em todo o Brasil para verificar as ações preventivas contra o Bug tomadas por cada uma delas. O Banco do Estado de Pernambuco (Bandepe) também deve corrigir os sistemas até maio. A conversão está orçada em 2,342 mil reais.

A segurança das viagens aéreas também não será afetada pelo Bug. A garantia é dada pela Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), companhias aéreas, Ministério da Aeronáutica e Departamento de Aviação Civil (DAC). "Em junho de 1999, todos os programas suscetíveis ao Bug estarão totalmente atualizados", garante Vagner Mussato, assessor da presidência da Infraero. O levantamento dos programas internos da Infraero já foi concluído. Até o final de 98, a atualização de 500 mil linhas de código já tinha consumido R$ 1 milhão.

A maior apreensão está na área pública, com sua famosa burocracia. A esfera federal congrega mais de 600 órgãos espalhados pelos 5.500 municípios do país. Representantes da Secretaria de Tecnologia da Informação do Ministério da Administração e Reforma do Estado (Mare) rebatem as críticas sobre a lentidão no setor, afirmando que o problema é geral e que a Presidência da República acordou a tempo para a extinção da maioria das brechas para o Bug no país.

A principal causa do temor dos cidadãos sobre as providências que vêm sendo tomadas pelo Governo é que não há nenhuma estimativa real do progresso das conversões dos sistemas, nem do orçamento investido. Sabe-se, porém, que o Ministério da Administração criou o Sistema de Acompanhamento das Adequações (A2000), com a missão de acompanhar todos os órgãos públicos. Levanta-se a questão: será que os dados serão divulgados antes da data fatídica?

Previsões apocalípticas à parte, faltando menos de um ano para a chegada do ano 2000, cabe a todos o dever de averiguar as soluções tomadas por todos os setores que se utilizam da informática para a prestação de serviços, começando, inclusive, pelo computador de sua própria casa. Afinal, como diz o antigo ditado, seguro morreu de velho.


 

 

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