EDUCAÇÃO
Salas
de aula online ficam mais cheiaspor JOAQUIM PRADO
Especial para o JC
Já consagrada
como uma inesgotável fonte de
recursos para estudantes de
praticamente todas as áreas do
conhecimento humano, a Internet
agora oferece mais uma ferramenta
educacional para internautas que
querem aprender inglês: cursos
online.
"Na teoria
a gente tenta oferecer o mesmo
ambiente que você teria em uma
sala de aula no exterior com
alunos estrangeiros", disse
Roberto Caldeira, presidente da
EF Educação Internacional, uma
das maiores empresas de ensino de
idiomas do mundo, com sede nos
Estados Unidos. Segundo a
instituição, seis mil
brasileiros já estudam inglês
no seu site, o Englishtown, de um
total internacional de 40 mil .
Por um mínimo
de 16 horas/aula em quatro
semanas, e em torno de US$99
dólares, estudantes de todo
mundo reúnem-se em turmas
virtuais de até quatro alunos
com um professor localizado em
Boston, EUA. O curso faz uso de
tecnologias multimídia para que
estudantes e instrutor possam
ouvir uns aos outros durante a
porção interativa da aula,
disse Caldeira. Além disso, o
Englishtown também oferece
muitas das formas de aprender e
praticar inglês já consagradas
na Internet, como consultas
gratuitas sobre gramática, jogos
educativos, envio de
cartões-postais e salas de
bate-papo em inglês.
HORÁRIOS -
Para Caldeira, a maior vantagem
do curso é a flexibilidade de
escolha de horários, que
beneficia profissionais desejando
aprender a língua nas horas
vagas, e a possibilidade de
interagir com estudantes de todo
o mundo e com professores
nativos. Mas ele adverte que há
algumas restrições, pois o
curso virtual de inglês requer
um mínimo de familiaridade com a
língua e o uso da Internet.
"Estudando na Internet você
não tem a imersão total no
idioma que teria estudando no
exterior", disse ele.
"O curso também não é a
melhor opção para quem quer
começar do zero e aprender a
língua".
A interação
virtual de alunos e professores
através de imagem e som, embora
seja o recurso mais excitante dos
novos cursos online, não é
oferecida por todos. O Trend
Distance Learning (TDL),
desenvolvido pela Trend School, a
Fundação Vanzolini e a Escola
Politécnica da Universidade de
São Paulo, entrará em
operação a partir de 18 de
janeiro.
RECURSOS -
Durante as aulas, os alunos
utilizarão todos os recursos de
som e imagem da Internet, ainda
que não interajam virtualmente
com outros estudantes ou um
professor, disse Fernanda Prada,
responsável pelas vendas online
do TDL: "O aluno entra em
contato com o professor através
de uma ligação telefônica de
cinco minutos ao final da
aula".
Em Recife,
alguns cursos de inglês
tradicionais começam a explorar
as possibilidades do ensino à
distância através da Internet.
Para Eduardo Carvalho, diretor
executivo da Associação Brasil
América (ABA), o maior empecilho
dos cursos online ainda é a
baixa qualidade da interação
através de imagem e som:
"Em termos de 'speaking`
(inglês falado), a tecnologia
ainda deixa muito a
desejar". Por isso, disse, a
ABA planeja concentrar-se por
enquanto em desenvolver o ensino
do inglês escrito no seu site,
em cooperação com a
Associação Alumni, um centro
binacional em São Paulo.
INTERAÇÃO -
Para Stephen Barlow, diretor da
unidade da Cultura Inglesa em Boa
Viagem, a tecnologia disponível
já permite uma boa interação
online, mas ainda é preciso
mudar hábitos de alunos e
professores para que o ensino à
distância se popularize. Para
isso, a Cultura está
desenvolvendo projetos para
gradualmente expandir seu site
juntamente com a Virtual English,
uma empresa de consultoria em
educação à distância.
"Um curso completamente
virtual na Cultura ainda vai
demorar uns dois anos para
acontecer", disse Barlow.
"Educação à distância é
realmente uma floresta virgem,
mas é um campo em que nós
pretendemos nos destacar".