- - -- - - - - - - -- - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 06 de janeiro de 1999

GOVERNO II
Salário de dezembro ainda é mistério

Durante entrevista à TV Jornal, ontem, o governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) informou que não poderá pagar o salário de dezembro do funcionalismo público, este mês. "Eu já terei que fazer um esforço tremendo para pagar o salário de janeiro", justificou. Jarbas disse que, antes de assumir o compromisso de quando fará o pagamento de dezembro - atrasado pelo Governo Arraes - quer ter uma idéia mais precisa de como está a máquina estadual. "Por enquanto, estou trabalhando no escuro, não sei nem quanto é a receita da Estado".

Jarbas pediu aos deputados estaduais que confiem no Governo, na apreciação da reforma administrativa que enviou à Assembléia Legislativa. "A maioria esmagadora do eleitorado pernambucano confiou em mim. É chegada a hora deles também confiarem", disse. Ele garantiu que, caso o pacote seja aprovado, não haverá demissões.

Perguntado sobre como pretende encaixar o Estado à Lei Camata sem promover demissões, o governador respondeu que pretende fazer um pente-fino nos gastos para que eles voltem aos patamares do começo do ano. "Em janeiro, o gasto com o custeio (da máquina) era de R$ 20 milhões. Mas em setembro subiu para R$ 70 milhões. Isso me faz acreditar que houve fraude ou incompetência humana que pretendo corrigir o mais breve possível.". A Lei Camata limita em 60% da receita os gastos dos governos com a folha.

Jarbas mostrou-se preocupado com os compromissos assumidos pelo Governo anterior e garantiu que não terá dinheiro para pagar a parcela dos precatórios que vence em junho. "Nós teremos de renegociar essa dívida. São R$ 200 milhões, fora os juros. Com certeza, não teremos receita para quitar. Mas eu não quero me preocupar com isso agora, tenho outros problemas mais imediatos".

Jarbas falou, também, sobre a decisão do ex-governador Miguel Arraes (PSB) de usar o dinheiro da privatização do Bandepe para o pagamento do 13º salário dos servidores. Pela quebra de contrato, o Estado deve sofrer bloqueio de verba federal. Jarbas garantiu que ainda não sabe se a punição será cumprida, mas disse que já começou a negociar com o Governo Federal. "Nós já estamos sendo punidos, uma vez que o repasse de verba da dívida estadual aumentou cerca de 20%".


     

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