GOVERNO IV
Fundo
de Pensões é o alvo das
reaçõesDurante a sessão de
instalação da convocação
extra da Assembléia Legislativa,
ontem, a chiadeira era geral: os
projetos enviados pelo governador
Jarbas Vasconcelos (PMDB) vão
precisar ainda de muita
discussão. Mas uma matéria, em
particular, desponta como o
"gargalo" da Reforma
Administrativa proposta pelo
Governo: a que institui o Fundo
de Aposentadoria e Pensões
(Funape), taxando uma
contribuição extra de 2% para
ativos e inativos com salário de
até R$ 1.200, e de 8% sobre os
rendimentos acima desse valor.
Não bastassem
as reclamações com a
"redação genérica"
do projeto, os deputados não se
conformam com a decisão do
Governo de criar alíquotas para
os servidores. Criticam, ainda, a
metodologia do Governo na
criação do Funape. "No
fundo, o Governo está querendo,
rapidamente, é fazer caixa.
Está indo com muita sede ao
pote, e no pote do servidor. O
ideal seria que, primeiro,
enviasse um projeto de modelo do
fundo, e depois outro com as
formas de capitalização. Do
jeito que está, será difícil
aprovar", ponderou João
Braga (PSDB).
Já Pedro
Eurico (PSB) chegou pronto para
fazer um discurso contundente
contra o projeto do Funape, mas
desistiu em função da rapidez
com que foi instalada a sessão.
O socialista apontou três pontos
polêmicos: o Governo não indica
quanto vai ser destinado para
capitalizar o Funape do que será
arrecadado com a privatização
da Celpe; estabelece que apenas
"inicialmente" os
recursos obtidos com as
alíquotas adicionais serão
destinadas à capitalização do
fundo; e estende a taxação aos
servidores municipais, que se
aposentam pela Prefeitura.
"E tem o problema dos
pensionistas, que é ainda mais
grave. Eles passam a contribuir
mais, e terão menos benefícios.
Teriam que ser excluídos dessa
cobrança" disse Eurico. É
que o IPSEP atende hoje às
pensões, benefícios e
assistência médica. Esse
último será um encargo da
Secretaria de Saúde.
A reação ao
projeto não partiu apenas dos
parlamentares da oposição,
embora são esses os que mais
criticam abertamente.
Governistas, como a deputada
Tereza Duere (PFL), estão
restritivos com a matéria. Já
se contabilizava, ontem, cinco
votos contra o projeto, dos 12 da
bancada do PFL, partido aliado de
Jarbas.