GOVERNO V
Eduardo
Campos classifica pacote como uma
"carta de intenções"Da Sucursal
BRASÍLIA -
Ao comentar a reforma
administrativa anunciada
segunda-feira pelo governador
Jarbas Vasconcelos como forma de
consertar o "caos"
deixado pela administração
anterior, o deputado Eduardo
Campos (PSB) - ex-secretário da
Fazenda e o homem forte do
Governo Arraes - evitou
polemizar. "Não quero fazer
crítica pela crítica,
simplesmente começar
discordando", disse. Mas
afirmou que o pacote "parece
mais uma carta de intenções do
que um programa de ajuste, na
medida que anuncia metas, mas
não indica o modus
faciendi". "Promete,
por exemplo, fazer um corte da
ordem de R$ 30 milhões/mês nas
despesas de custeio, sem,
contudo, explicar de que modo
isso será possível já que hoje
elas importam em um custo mensal
de R$ 25 milhões".
"Não
está claro, entre outras coisas,
como o governo realizará um
corte de no mínimo dois mil
cargos comissionados, se o
número desses cargos é de
apenas 1.600", argumenta
Eduardo Campos. Ele acha que
Jarbas Vasconcelos, neste caso,
refere-se às funções
gratificadas, e diz que a
economia, dessa forma, será
muito pequena - qualquer coisa da
ordem de R$ 1 milhão - para a
meta a ser atingida: R$ 30
milhões/mês. Também a
redução do percentual de
comprometimento da receita
estadual com a folha de pessoal
para os limites estabelecidos na
Lei Camata (60%) não ficou
esclarecida, na opinião de
Campos. Ele lembra que o
percentual de comprometimento da
receita do Estado com a folha de
pessoal do Executivo hoje é da
ordem de 69% que sobe para 71%
computando as transferências
para outros poderes. "Quero
saber como será possível operar
essa redução sem demitir
pessoal, porque, hoje, é
inconstitucional demitir
pessoal", ressalta o
deputado.
Quanto a
centralização das folhas de
pagamento da administração
direta e indireta na Secretaria
de Administração, Campos diz
que se trata de uma medida
salutar de controle que já vinha
sendo feito no governo passado
através do Conselho Superior de
Política de Pessoal.