- - -- - - - - - - -- - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 06 de janeiro de 1999

ESTADOS
Governadores de oposição se reúnem para discutir as dívidas

BELO HORIZONTE - O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), anunciou ontem à tarde que os governadores da oposição se reunirão no próximo dia 18, no Palácio Liberdade, para discutirem reforma tributária e endividamento dos Estados. No seu rápido pronunciamento à imprensa, ele anunciou também que, na próxima sexta-feira, os ministros do PMDB do Governo Fernando Henrique Cardoso participarão de um almoço também em Belo Horizonte. Os ministros são Eliseu Padilha (Transportes), Renan Calheiros (Justiça), e Ovídio de Angelis (secretário nacional de Políticas Regionais).

Em Porto Alegre, o governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), disse ontem que somente o presidente Fernando Henrique Cardoso, e não os demais integrantes da equipe econômica do Governo Federal, vai decidir sobre a renegociação das dívidas dos Estados. "Nós, os governadores, vamos conversar com o presidente e antes desta conversa nada pode barrar a possibilidade de repactuação desta relação", disse. Ele referia-se às declarações do ministro da Fazenda, Padro Malan, e do secretário executivo do Ministério, Pedro Parente, que anteontem afastaram a hipótese de revisão dos débitos dos estados.

Olívio evitou o termo moratória, mas disse que a dívida do Estado é "impagável" nos termos em que foi negociada pela administração anterior. Pelo acordo firmado no Governo de Antônio Britto (PMDB), o Rio Grande do Sul ficou devendo R$ 7,9 bilhões referentes à dívida mobiliária ao Governo Federal, a serem pagos em 30 anos com desembolsos mensais da ordem de R$ 57 milhões. A dívida gaúcha total (incluindo estatais e débitos contratuais) chega a R$ 17 bilhões, disse o novo secretário da Fazenda, Arno Augustin.

O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), advertiu ontem que, se não for "flexível" nas discussões sobre a dívida dos Estados, a União poderá levar a uma posição "radical" (pró-moratória) dos governadores que, como ele, têm tido uma postura moderada, pelo diálogo. Garotinho disse esperar resposta ao pedido de audiência para reabertura das negociações, já enviado. Ele reafirmou que seu governo quer pagar os débitos, mas que é impossível fazê-lo nos termos em que a dívida foi negociada. Garotinho disse que o Governo Federal precisa entender que os novos governadores "não podem fabricar receitas" que foram tiradas dos Estados pela União.


     

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