- - -- - - - - - - -- - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 06 de janeiro de 1999

ESTADOS III
FHC não quer dar um tratamento político à ameaça de moratória

BRASÍLIA - O presidente Fernando Henrique não pretende dar um tratamento político à ameaça de alguns governadores de não pagar as dívidas mobiliárias. FHC disse ainda que não acredita que os governadores usem suas bancadas no Congresso para impedir a aprovação das medidas fiscais no Congresso como forma de retaliação, afirmou ontem o porta-voz, Sérgio Amaral. "Tratamento político já houve quando o Governo Federal assumiu um ônus enorme de avocar uma dívida com taxas de juros de mercado, que é como ele se financia, e de estender uma renegociação aos Estados com juros que são várias vezes menores. Houve uma disposição clara do Governo Federal de ajudar", disse o porta-voz.

Amaral foi incisivo ao comentar a possibilidade de os governadores usarem pressão política - impedindo a votação do ajuste fiscal, por exemplo -, por meio de bancadas no Congresso ligadas a eles, para tentarem modificar as regras atuais dos empréstimos. "Não acredito que nenhum governador possa neste momento fazer pressão sobre o Congresso para não votar temas que são de extrema importância para o País", afirmou Amaral.

O porta-voz da Presidência ressaltou que a renegociação das dívidas foi feita para "favorecer" os Estados e não "prejudicá-los". Anteontem, Sérgio Amaral afirmou que, se o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), cumprisse sua ameaça de decretar moratória, seria "ruim para o Brasil e para Minas Gerais".


     

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