ESTADOS III
FHC
não quer dar um tratamento
político à ameaça de
moratóriaBRASÍLIA - O
presidente Fernando Henrique não
pretende dar um tratamento
político à ameaça de alguns
governadores de não pagar as
dívidas mobiliárias. FHC disse
ainda que não acredita que os
governadores usem suas bancadas
no Congresso para impedir a
aprovação das medidas fiscais
no Congresso como forma de
retaliação, afirmou ontem o
porta-voz, Sérgio Amaral.
"Tratamento político já
houve quando o Governo Federal
assumiu um ônus enorme de avocar
uma dívida com taxas de juros de
mercado, que é como ele se
financia, e de estender uma
renegociação aos Estados com
juros que são várias vezes
menores. Houve uma disposição
clara do Governo Federal de
ajudar", disse o porta-voz.
Amaral foi
incisivo ao comentar a
possibilidade de os governadores
usarem pressão política -
impedindo a votação do ajuste
fiscal, por exemplo -, por meio
de bancadas no Congresso ligadas
a eles, para tentarem modificar
as regras atuais dos
empréstimos. "Não acredito
que nenhum governador possa neste
momento fazer pressão sobre o
Congresso para não votar temas
que são de extrema importância
para o País", afirmou
Amaral.
O porta-voz da
Presidência ressaltou que a
renegociação das dívidas foi
feita para "favorecer"
os Estados e não
"prejudicá-los".
Anteontem, Sérgio Amaral afirmou
que, se o governador de Minas
Gerais, Itamar Franco (PMDB),
cumprisse sua ameaça de decretar
moratória, seria "ruim para
o Brasil e para Minas
Gerais".