ESTIAGEM
Seca
dizima gado em Calumbi e cria
"cemitério de
carcaças"por GIOVANNI SÁ
Especial para o JC
CALUMBI -
A seca que castiga o Agreste e
Sertão há mais de um ano fez
surgir em Calumbi, município do
Sertão do Pajeú a 440
quilômetros do Recife com dois
mil moradores, um cemitério de
carcaças de gado. O
"cemitério da seca",
como está sendo chamado, fica
às margens da estrada vicinal
que liga a cidade ao Sítio
Camaleão. A população começou
a prestar atenção no local há
três meses por conta da grande
quantidade de animais mortos.
Hoje existem mais de 50
esqueletos de bovinos, que
morreram em função da falta de
água e pasto na região. Os
pequenos pecuaristas que ainda
residem na área estimam que 60%
do rebanho de 300 cabeças foi
dizimado pela estiagem.
Para manter a
criação os produtores estão
tendo que comprar ração, o que
demanda altos investimentos e
pouco retorno financeiro. O
preço de cada cabeça de gado,
que antes variava entre R$ 600,00
e R$ 700,00 caiu para R$ 120,
devido a perda de peso dos
animais. O "cemitério da
seca" fica a poucos metros
da propriedade de Daniel Mariano,
77 anos, que já foi um dos mais
bem sucedidos criadores de gado
da região e hoje diz viver sem
esperanças. Do rebanho de 80
cabeças de gado que restou até
o início do ano passado, ele
perdeu 36 animais.
"Eu só
não vivo em situação pior
porque recebe ajuda de um
vizinho", contou, ao
ressaltar que em toda a sua vida
esta é a pior seca. "Nem
mesmo a de 32 foi tão forte como
agora", lamenta. Nos
últimos dois meses, ele usou 60
sacas de milho para alimentar o
rebanho e agora está comprando
duas cargas de bagaço de cana
por semana. "É triste ver
os bichos morrendo aos
poucos", disse.
No Sítio
Cajazeiras, também na zona rural
de Calumbi, a morte do rebanho se
alastra como uma praga. Os
criadores afirmam que se as
chuvas não chegarem até março,
o restante do rebanho será
exterminado. O surgimento do
"cemitério da seca"
acabou unindo políticos dos mais
variados partidos em torno de um
projeto que nunca saiu do papel.
A construção da Barragem
Jurema, idealizada na década de
70, que resolveria o problema
d'água no município.
"Desde a
época do ex-governador Nilo
Coelho que vários técnicos
passaram e realizaram projetos
para construção da barragem,
mas nada foi feito",
reclamou o secretário de
Agricultura de Calumbi, Edílson
Cordeiro, que com diversos
vereadores locais vai pleitear a
realização da obra junto aos
governos estadual e federal.